Para Alemanha, Panama Papers serve para ratificar luta contra evasão

Berlim, 4 abr (EFE).- O governo alemão expressou nesta segunda-feira sua convicção de que os Panama Papers reforçam a necessidade de avançar na luta contra a evasão fiscal e anunciou a apresentação de novas propostas ao Fundo Monetário Internacional (FMI) ainda neste mês.

"Levamos muito a sério o conteúdo desses documentos", disse em entrevista coletiva o porta-voz do Ministério das Finanças, Martin Jager, sobre os 11,5 milhões documentos da empresa panamenha Mossack Fonseca divulgados pelo Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação (ICIJ).

Segundo o porta-voz, estas revelações devem ser vistas como um "impulso" para as iniciativas apresentadas e apoiadas pela Alemanha, tanto em escala nacional quanto continental e perante outras classes multilaterais, para combater estas práticas.

"Não falamos em pressionar, mas convencer estes países de que tais práticas não têm futuro", acrescentou Jager, para quem as revelações contidas nos Panama Papers não são, na verdade, "surpresa alguma".

Nem o porta-voz de Finanças nem o do governo, Steffen Seibert, quiseram entrar em detalhes sobre as consequências que essas informações podem ter para as personalidades e líderes políticos envolvidos.

O ministro das Finanças, Wolfgang Schauble, irá propor uma série de maneiras para lutar contra as práticas ilícitas perante o FMI e o Banco Mundial na reunião que acontecerá em meados deste mês em Washington (EUA).

Jager destacou as medidas impulsionadas em outubro de 2014 por seu governo para sistematizar a troca de dados bancários, acordos que desde então foram assinados por 80 países, assim como os mecanismos contra a evasão fiscal anunciados na reunião do G20, o grupo das grandes economias e potências emergentes, do qual o Brasil faz parte.

"Nos últimos três anos, fez-se mais nesse sentido do que nos 30 anos anteriores", resumiu Jager.

Entre os nomes contidos nos documentos divulgados até agora, não há os de políticos destacados da Alemanha. Segundo o porta-voz, isso pode ser resultado dos avanços conseguidos em escala nacional contra a evasão fiscal.

A questão estará provavelmente amanhã na agenda da Chancelaria em Berlim, já que Angela Merkel receberá à diretora geral do FMI, Christine Lagarde, e os maiores responsáveis da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OECD), o Banco Mundial (BM) e a Organização Internacional do Trabalho (OIT).

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