Argélia reclama de tom usado por jornal francês para denunciar Panama Papers

Argel, 5 abr (EFE).- O governo argelino reclamou à França nesta terça-feira pela forma como o jornal "Le Monde" publicou o escândalo Panama Papers, sobre os documentos relacionados à criação de empresas em paraísos fiscais para sonegar impostos, pois o tom da abordagem teria difamado a Argélia.

"É uma campanha difamadora e manipuladora realizada pelo "Le Monde" contra a Argélia", disse uma fonte diplomática ao jornal "Tout Sul Algérie", único veículo argelino que confirma o protesto formal apresentada ao Ministério das Relações Exteriores francês.

Segundo o veículo argelino, a divulgação dos vazamentos preocupou as autoridades locais, principalmente depois que o "Le Monde" ilustrou sua informação na primeira página com a foto de cinco líderes mundiais, entre eles o presidente da Argélia, Abdelaziz Bouteflika.

Os Panama Papers, considerados o maior vazamento de documentos na história do jornalismo, revelaram os nomes de 140 personalidades de todo o mundo que solicitaram serviços do escritório panamenho Mossack Fonseca para criar offshores em paraísos fiscais.

Na lista figura também o nome do ministro argelino de Indústria e Minas, Abdeslam Buchuareb, que segundo o jornal francês está relacionado à empresa Royal Arrival Corp, criada no Panamá em abril de 2015 através da Mossack Fonseca.

"Em e-mail enviado no dia 6 de abril de 2015 no escritório de Luxemburgo da Mossack Fonseca, o francês Guy Feite, representante da Royal Arrival Corp, confirmou que o beneficiado efetivo da sociedade era o ministro, no cargo desde abril de 2014", informou o "Le Monde".

A Companhia de Estudos e Assessoria (CEC) argelina confirmou ontem que criou a empresa citada para tramitar o patrimônio privado do ministro argelino, mas que nunca foi ativada nem tem conta bancária associada.

Em comunicado enviado à agência oficial de notícias local "APS", a empresa assegura que a constituição desta offshore registrada no escritório da Mossack Fonseca "foi feita com total transparência".

Segundo a CEC, Buchuareb solicitou o congelamento imediato durante seu mandato público da utilização desta sociedade e por isso "a abertura de uma conta bancária na NBAD Genebra não foi feita, não foi concretizada".

A empresa "tinha por com objetivo recolher e tramitar os bens patrimoniais existentes antes da entrada de Buchuareb em função pública", segundo a mensagem assinada por Feite.

Além disso, "não esteve ativa em nenhum país, já que não teve o menor funcionamento e não teve nenhuma conta na NBAD já que os trâmites de abertura foram cancelados", insistiu a CEC, sediada em Luxemburgo.

Segundo Feite, a empresa tinha como objetivo "a gestão de uma bolsa de valores imobiliários por um valor de 700 mil euros, obtida na atualidade a título pessoal".

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos