Armênios e azerbaijanos definem cessar-fogo em Nagorno Karabakh

Tbilisi, 5 abr (EFE).- Armênios e azerbaijanos definiram nesta terça-feira um cessar-fogo na fronteira com Nagorno Karabakh após quatro dias de intensos combates nesse enclave armênio, a região mais militarizada da Europa.

"O acordo de cessação do fogo foi alcançado hoje, já que se iniciou um processo negociador", anunciou Senor Asratián, porta-voz do Ministério da Defesa da autoproclamada república de Nagorno Karabakh.

O exército de Nagorno Karabakh recebeu a ordem de cessar completamente as ações militares, que mataram 20 soldados armênios e quatro civis no enclave desde a retomada das hostilidades na madrugada do sábado.

"Neste momento está sendo preparado um documento de cessação bilateral das hostilidades na região do conflito", acrescentou outra fonte oficial, informação confirmada pelo Ministério da Defesa armênio.

Um porta-voz da presidência de Nagorno Karabakh explicou que "a situação se estabilizou" na frente de batalha após o Azerbaijão colocar seu exército em alerta e ameaçar invadir o território caso a Armênia não deixasse de bombardear as áreas povoadas.

Pouco antes de divulgar o acordo, o presidente do Azerbaijão, Ilham Aliyev, garantiu que seu país defende a continuidade do processo negociador, embora tenha voltado a acusar a Armênia de bombardear civis.

"O Azerbaijão combate em seu território, defende sua própria terra. Pusemos o inimigo em seu lugar e hoje contamos com uma clara superioridade", disse.

O presidente armênio, Serzh Sargsyan, propôs ontem a cessação das hostilidades pelo controle do enclave, embora com a condição de que todos os grupos retornem a suas posições iniciais anteriores ao dia 1º de abril.

Caso contrário, advertiu, "um aumento das ações militares pode acarretar consequências imprevisíveis e irreversíveis, inclusive uma guerra em grande escala", e que nesse caso reconhecerá a independência de Karabakh, território habitado majoritariamente por armênios.

Em resposta, a Chancelaria azerbaijana garantiu que está disposta a aceitar um cessar-fogo, mas antes as tropas armênias devem abandonar o Karabakh e a integridade territorial do país deve ser restablecida em virtude das resoluções da ONU.

O Azerbaijão, que suspendeu unilateralmente as ações militares no domingo, embora isto não tenha impedido de seguir no combate, se nega a ceder os pontos estratégicos do Karabakh que retomou no sábado.

O discurso de guerra, somado à intensificação dos combates em vários lugares, disparou todos os alarmes na Rússia, nos Estados Unidos e na França, os encarregados de supervisionar o cessar-fogo em vigor desde 1994.

O ministro das Relações Exteriores russo, Sergey Lavrov, e o secretário de Estado americano, John Kerry, ameaçaram ambas as partes pela "cessação imediata das ações militares", pedido que também conta com a força da Otan.

O Grupo de Minsk da OSCE, que coordena as negociações de paz entre armênios e azerbaijanos desde o fim do conflito que deixou mais de 25 mil mortos entre 1992 e 1994), se reúne hoje em Viena. EFE

mv-io/vnm

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos