Cameron afirma que sair da UE seria a autodestruição do Reino Unido

Londres, 5 abr (EFE).- O primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron, afirmou que uma eventual saída da União Europeia (UE) seria uma autodestruição "econômica e política" para o Reino Unido, com prejuízo às empresas.

Em artigo publicado nesta terça-feira no jornal "The Daily Telegraph", o chefe de governo diz que abandonar o mercado único, caso os britânicos votem pelo "Brexit" no plebiscito do dia 23 de junho, seria uma decisão "desnecessária e imprudente".

O político conservador voltou a defender a permanência do Reino Unido no bloco europeu enquanto uma pesquisa divulgada hoje indica que o respaldo a favor de ficar na UE aumentou.

A pesquisa, feita neste mês entre 800 pessoas pelo instituto de análise ORB, afirma que 51% dos entrevistados apoiam a permanência, uma alta de quatro pontos em relação a outra consulta de março, enquanto a campanha pela saída ou "Brexit" desceu cinco pontos se comparada à anterior, até chegar a 44%.

Segundo o primeiro-ministro, cortar os vínculos com Bruxelas pode afetar "duramente" o setor de serviços do país e não beneficiaria o setor do aço, que atravessa uma profunda crise depois que a gigante metalúrgica indiana Tata Steel indicou na semana passada que colocará à venda seus negócios no Reino Unido.

"Estamos fazendo tudo o que podemos para ajudar o aço britânico nestes momentos difíceis, mas a ideia de que sair da Europa é a resposta é um erro perigoso: mais da metade de nossas exportações de aço vão para a Europa", acrescentou.

Além disso, Cameron ressalta que o "Brexit" pode afetar o setor automotivo e as empresas de telecomunicações que operam com a UE, uma situação que pode ter consequências para os empregos e o nível de vida da população, comentou.

"À medida que transcorre a campanha pelo plebiscito, está mais claro que os que fazem campanha para sair da Europa estão convidando os britânicos a tomarem uma decisão insólita, ser a primeira economia da história que escolhe de maneira deliberada uma relação comercial mais restritiva, de segunda categoria, com o maior mercado", indica o primeiro-ministro.

O debate sobre plebiscito de junho se intensifica no Reino Unido e ontem a fabricante de aviões Airbus comunicou a seus 15 mil empregados no Reino Unido sobre os riscos de votar pela saída do país da UE.

Na carta, a Airbus ressaltou que seu sucesso empresarial depende do livre movimento de pessoas e mercadorias no bloco europeu, por isso admitiu a incerteza sobre o que poderá acontecer caso os britânicos apoiem o "Brexit" no plebiscito.

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