Cameron se defende e diz que não possui ativos em paraísos fiscais

Londres, 5 abr (EFE).- O primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron, afirmou nesta terça-feira que não possui ativos em paraísos fiscais após seu pai, Ian Cameron, ter sido citado nos vazamentos do Panama Papers, escândalo de ocultação de dinheiro por meio de offshores que envolve políticos, empresários e celebridades.

"Não possuo ações, não mantenho ativos nem fundos em paraísos fiscais, nada disso", disse Cameron ao ser questionado sobre o assunto durante um ato em Birmingham, no centro da Inglaterra.

Documentos do escritório de advocacia panamenho Mossack Fonseca vazados à imprensa internacional revelam que o pai do primeiro-ministro, morto em 2010, era diretor da Blairmore Holdings, um fundo de investimentos com sede nas Bahamas fundado em 1980.

Em sua primeira aparição pública após a publicação dos documentos no domingo, os jornalistas questionaram Cameron se ele ou sua família se beneficiaram de operações em paraísos fiscais.

"Em termos dos meus próprios assuntos financeiros, não possuo nenhuma ação. Tenho um salário como primeiro-ministro e algumas economias, das quais recebo juros, e uma casa, na qual vivíamos, e que agora alugamos enquanto residimos em Downing Street. Isso é tudo o que eu tenho", declarou Cameron.

"Os dois temas pelos quais sou responsável são meus próprios assuntos financeiros e o sistema de impostos do Reino Unido", acrescentou o primeiro-ministro.

O líder da oposição trabalhista, Jeremy Corbyn, pediu a abertura de uma investigação independente sobre as acusações contra a família de Cameron. "Não se trata de um assunto privado se deixaram de pagar impostos. Por isso, é preciso investigar", disse Corbyn.

Para Cameron, o escândalo Panama Papers deve servir para melhorar a transparência do sistema fiscal do Reino Unido.

"A investigação que precisamos, em primeiro lugar, deve ser no Ministério da Fazenda, nossa autoridade fiscal, e deve utilizar toda informação que está saindo do Panamá para assegurar que faremos o possível para garantir que as companhias e indivíduos estão pagando seus impostos de maneira adequada", disse Cameron.

"Acredito que não há governo ou primeiro-ministro que tenha feito mais para acabar com a evasão fiscal. Recuperamos bilhões de libras graças à pressão sobre os fraudadores", defendeu Cameron.

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