Chefe de Gabinete defende Macri após vazamentos do Panama Papers

Buenos Aires, 5 abr (EFE).- O chefe de Gabinete da presidência da Argentina, Marcos Peña, afirmou nesta terça-feira que o presidente do país, Mauricio Macri, não tem nada para esconder, após seu nome ter sido citado no Panama Papers, um escândalo de ocultação de dinheiro por meio de offshores que envolve políticos, empresários e celebridades de todo o mundo.

Em entrevista coletiva ao lado dos ministros de Justiça, Germán Garavano, e de Segurança, Patricia Bullrich, Penã afirmou que "não há nada para declarar" sobre a empresa Fleg Trading, com sede nas Bahamas, da qual Macri foi diretor, porque esta foi uma operação realizada pelo pai do presidente.

De acordo com o chefe de Gabinete, a companhia foi criada por Franco Macri, pai do presidente, para "realizar um investimento que não se concretizou". "Ele é absolutamente transparente em relação ao seu patrimônio. Foi um diretor sem ativos, sem capital, em uma empresa do pai que está declarada na Administração Federal de Receita Pública (Afip, o fisco argentino)", defendeu.

"A empresa não registrou atividade, por isso não havia nada para declarar. É habitual que os empresários coloquem como diretores seus familiares por causa da confiança. Não comunicamos antes porque não havia nada para comunicar", reiterou o chefe de Gabinete.

Devido ao fato de a empresa ter sido declarada à Afip por Franco Macri, Penã disse que não existe possibilidade de ela ter sido fundada para "cometer algo ilícito". Além disso, ele destacou que o presidente foi "auditado" em várias ocasiões.

No último domingo, quando foram revelados os vazamentos, a presidência da Argentina divulgou um comunicado para desmentir qualquer participação de Mauricio Macri no capital da Fleg Trading.

"Dita empresa, que tinha como objetivo participar de outras sociedades não financeiras como investidora ou holding no Brasil, esteve ligada ao grupo empresarial da família e por isso Macri foi designado ocasionalmente como diretor, sem participação acionária. E isso está na declaração de seu pai, Franco Macri", dizia o texto.

"No caso particular que se refere a mim, é uma operação legal, feita por outra pessoa, constituindo uma offshore para investir no Brasil, algo que não se concretizou, mas da qual eu estava como diretor", afirmou o próprio presidente em uma entrevista divulgada ontem pelo jornal "La Voz del Interior".

Franco Macri também divulgou um comunicado para defender o fato de o filho ser o diretor da empresa, que deixou de operar em 2008. Segundo pai do presidente, foi uma mera formalidade.

As explicações de Macri e do governo não contentaram a oposição. Os deputados da coalizão Frente para a Vitória (FpV), da ex-presidente Cristina Kirchner, pediram uma sessão especial no Congresso para criar uma comissão de investigação.

Já a deputada progressista Margarita Stolbizer, que foi candidata à presidência no ano passado, disse hoje em nota que o presidente precisa responder às acusações "de maneira pública e urgente". "Dessa forma poderá levar tranquilidade a um país tão castigado pela corrupção e os manejos de dinheiro ilegal", destacou.

A entrevista coletiva de Penã, Garavano e Bullrich ocorreu após uma reunião ministerial na qual ficou decidido o envio ao Congresso de uma série de projetos para combater o crime organizado (especialmente lavagem de dinheiro e narcotráfico), além de reformas na Justiça e no Ministério Público para torná-los mais rápidos e eficazes.

Os objetivos são evitar as chamadas "portas giratórias", que permitem que os criminosos sejam presos, mas voltem às ruas pela falta de ação da Justiça, melhorar a investigação e a capacidade de inteligência das forças de segurança.

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