China afirma que Panama Papers têm acusações infundadas

Pequim, 5 abr (EFE).- O governo da China considerou nesta segunda-feira que os Panama Papers são "acusações infundadas" e se negou a responder se investigará os cidadãos do país que aparecem na lista de documentos vazados como proprietários de empresas ou contas em paraísos fiscais, entre eles o cunhado do presidente Xi Jinping.

"Sobre estas acusações infundadas, não tenho nada a comentar", disse hoje um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Hong Lei, perguntado em entrevista coletiva sobre o maior vazamento jornalístico da história.

O escândalo revelou mais de onze milhões de documentos do escritório panamenho Mossack Fonseca, especializado na gestão de capitais em paraísos fiscais, e afeta mais de 140 políticos e executivos de todo o planeta, ou seus parentes, entre eles vários chefes ou ex-chefes de Estado.

Na China, os Panama Papers alcançaram a parentes de importantes líderes e ex-dirigentes chineses, como o presidente Xi Jinping e outros dois membros do Comitê Permanente - o órgão mais poderoso do Partido Comunista e do Estado -, Zhang Gaoli e Liu Yunshan; e o ex-primeiro-ministro Li Peng, chefe do governo chinês entre 1987 e 1998.

Os documentos vazados indicam que Deng Jiagui, cunhado do presidente, se tornou diretor e único acionista de duas empresas fachada nas Ilhas Virgens Britânicas em 2009, quando Xi já era vice-presidente do país.

Zhang e Liu, ambos membros do maior órgão de decisão chinês há três anos, têm parentes próximos que figuram como diretores ou acionistas de empresas localizadas em paraísos fiscais.

Enquanto o governo chinês se recusa a comentar o escândalo, o jornal oficial "Global Times" publicou nesta terça-feira um editorial no qual considera que "há uma força poderosa" por trás dos vazamentos que tem "objetivos políticos fundamentais".

Segundo o periódico, a interpretação dos documentos por parte de veículos de imprensa ocidentais está influenciada por Washington.

"Qualquer informação que seja negativa para os EUA sempre pode ser minimizada", diz o jornal, que alega ser dada maior atenção à exposição de líderes não ocidentais, como o presidente russo, Vladimir Putin, que teve um dos melhores amigos citados nos Panama Papers.

"É arriscado afirmar que a informação vazada é inventada. Pode-se acreditar que esta revelação não sobreviveria se envergonhasse o Ocidente. Mas o Ocidente estará contente de ver estes vazamentos ocorrerem se atacarem seus oponentes", considerou a publicação.

O jornal não menciona os políticos chineses que aparecem nos papéis, assim como outros veículos de imprensa do país, que apagaram qualquer informação que possa dar pistas sobre a fortuna de seus líderes.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos