Presidente diz que Conmebol é vítima e se beneficiará dos Panama Papers

Assunção, 4 abr (EFE).- Os vazamentos dos chamados Panama Papers beneficiarão os interesses da Conmebol, uma entidade que seu presidente, o paraguaio Alejandro Domínguez, definiu nesta segunda-feira como "vítima" dos esquemas de corrupção de vários de seus ex-dirigentes que estão na mira da Justiça.

"Para nós, é muito importante tudo o que sair. A Conmebol está pedindo restituição, somos uma entidade vítima dessa situação. Quanto mais percebemos que existe algo a ser reivindicado legitimamente pela Conmebol, iremos fazê-lo", disse Domínguez durante uma entrevista coletiva.

"Tudo o que sair é benéfico para nossos interesses", acrescentou ao se referir ao escândalo surgido por causa do vazamento de dados do escritório de advocacia panamenho através do Wikileaks e do Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação (ICIJ, sigla em inglês).

Os documentos revelados evidenciam algum tipo de vínculo com sociedades abertas em paraísos fiscais de Chefes de Estado e de governo, como o russo Vladimir Putin e o argentino Mauricio Macri, assim como de pessoas próximas a eles, além de atletas como Lionel Messi, ex-jogadores como o chileno Ivan Zamorano, empresários e artistas.

O paraguaio Nicolás Leoz, que presidiu a Conmebol entre 1986 e 2013, é citado nos vazamentos que sugerem que ele teria recebido propina.

Segundo os documentos vazados do escritório Mossack Fonseca, a Conmebol teria supostamente recebido US$ 97 milhões pelos direitos de transmissão televisiva da Taça Libertadores entre os anos de 2008 e 2018.

O pagamento teria sido realizado por uma empresa que assegurou os direitos de transmissão e de marketing desses torneios através do pagamento anual de propinas, avaliadas em milhões de dólares, a Leoz, ao ex-secretário-geral da entidade Eduardo Deluca e a outros dirigentes do alto escalão da confederação, durante um período de vários anos.

Leoz, que tem 87 anos, é mantido em prisão domiciliar no Paraguai, à espera que se resolva o pedido de sua extradição para os Estados Unidos.

Já Eduardo Deluca, que tem 75 anos, tem contra si um pedido de captura internacional e de extradição para os Estados Unidos, também por denúncias de corrupção, mas o ex-secretário de Conmebol solicitou que seja submetido à prisão domiciliar devido a sua idade avançada.

"Infelizmente se fala mais do tema judicial, porque estamos em um momento no qual a Conmebol está passando por muitos processos judiciais, independentemente do caso 'Fifagate', o que torna um pouco difícil o trabalho da Conmebol", declarou Domínguez.

"Aqui se fala muito mais de questões legais do que de futebol. Acredito que há muito oportunismo de pessoas que apresentaram ações judiciais, que tornam quase impossível o trabalho e o pensar no futebol", lamentou o dirigente.

Os Panama Papers também atingem outros dirigentes do futebol sul-americano, como o ex-presidente da Conmebol Eugenio Figueredo, que está preso preventivamente em Montevidéu, no Uruguai, acusado de cometer fraude e lavagem de ativos durante sua gestão na entidade, entre os anos de 2013 e 2014.

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