Colômbia e Farc retomam diálogo sem data para paz e desafio do desarmamento

Sara Gómez Armas.

Havana, 6 abr (EFE).- Após o descumprimento do prazo do dia 23 de março para assinar a paz, a Colômbia e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia retomaram nesta quarta-feira, em Havana, as negociações sem anunciar novas datas e com o desafio de aparar arestas no delicado assunto do desarmamentos, entre pedidos dos guerrilheiros para impedir o paramilitarismo.

"Não podemos postergar mais na mesa de Havana o acordo sobre o paramilitarismo e garantias de segurança. Com grupos paramilitares, com crimes e atentados, com ameaças e terror, não podemos materializar a paz", afirmou hoje o chefe guerrilheiro Jorge Torres Victoria, conhecido como "Pablo Catatumbo".

Um acordo sobre essas duas questões, que é negociado há meses em uma comissão liderada pelo general Óscar Naranjo, por parte do governo, e pelo próprio Catatumbo, do lado das Farc, está próximo de ser firmado, confirmaram à Agência Efe fontes da guerrilha.

Quando todos já davam por descartada a assinatura da paz no último dia 23 de março, as partes continuavam afirmando que anunciariam um acordo sobre cessar-fogo bilateral definitivo e outro sobre segurança e paramilitarismo, algo que não ocorreu.

Semanas antes de a data limite chegar, uma nova crise se instalou em Havana devido às divergências entre o governo e as Farc sobre a fórmula e tempo previsto para o desarmamento.

Além disso, as partes não conseguiram concordar sobre o número e as condições de segurança das zonas de localização nas quais os guerrilheiros se concentrarão para realizar o desarme.

Dessa forma, o governo e as Farc chegaram ao dia 23 de março sem anúncio, situação que foi abordada na última segunda-feira em uma reunião em Bogotá entre os negociadores das duas partes para analisar os aspectos jurídicos que impediram assinar o pacto.

Esteve no encontro o ministro da Justiça, Yesid Reyes, que abordou os fundamentos do fim do conflito com os advogados das Farc, o espanhol Enrique Santiago e o colombiano Diego Martínez.

Hoje, no reinício das conversas em Havana, os guerrilheiros pediram ao governo de Juan Manuel Santos para firmar um pacto sobre a segurança e o paramilitarismo, já que consideram que estes são problemas graves que ameaçam a paz na Colômbia.

As Farc insistiram que o paramilitarismo "não é nenhum fantasma invocado pela insurgência, nem uma elucubração dilatória para adiar a paz, mas uma realidade indubitável que procura atravessar na conquista de um acordo final e intimidar os amigos da solução política".

"Ninguém na Colômbia trata como uma casual coincidência entre a greve paramilitar e a convocação de extrema-direita a uma marcha nacional contra o processo de paz", indicou Catatumbo sobre os protestos convocados no fim de semana passado pela oposição liderada pelo ex-presidente do país Álvaro Uribe.

Catatumbo indicou que essa "greve forçada" colocou em evidência o "repugnante vínculo" do paramilitarismo com "setores políticos, econômicos, militares e do governo, no meio da negação da administração nacional".

Segundo as Farc, o paramilitarismo é a "expressão armada de um pensamento e uma corrente política que fez da guerra e do terror seu principal meio de enriquecimento".

A guerrilha também denunciou que, durante o atual governo Santos, 346 integrantes de organizações sociais e populares foram assassinados, entre eles 112 do Movimento Político e Social Marcha Patriótica, além dos "milhares que foram ameaçados".

"É claro que os mesmos interesses econômicos e políticos que engendraram o monstro paramilitar continuam atuando hoje livre e impunemente. Seus aríetes políticos e da grande imprensa pretendem criar um clima de intolerância, ódio e incitação que sirva de palco ao esperado extermínio político", afirmaram as Farc.

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