Grupo da CIDH rompe com Procuradoria do México em caso dos 43 desaparecidos

Cidade do México, 6 abr (EFE).- O Grupo Interdisciplinar de Especialistas Independentes (GIEI) da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), que investiga o desaparecimento de 43 estudantes no sul do México em 2014, anunciou nesta quarta-feira o fim da colaboração com a Procuradoria do México após a polêmica sobre uma nova perícia realizada em um aterro sanitário.

Apesar do rompimento, o GIEI disse que, para esclarecer certas dúvidas, se reunirá na sexta-feira com os procuradores e o grupo escolhido por ambos para realizar um novo estudo que determine se os estudantes desaparecidos no município de Iguala tiveram seus corpos queimados no aterro sanitário de Cocula.

Em entrevista coletiva na capital mexicana, o GIEI anunciou que "não seguirá colaborando no caso com um processo que não se ajusta aos acordos firmados, aos padrões internacionais e que só contribuirá para a confusão e o descrédito".

Segundo os representantes designados pela CIDH para participar da apuração do caso, a divulgação no último dia 1º de abril dos resultados da perícia por seis especialistas em fogo foi uma "irresponsabilidade".

Um porta-voz desses analistas anunciou em entrevista coletiva convocada pela Procuradoria que havia evidências suficientes que no aterro houve um incêndio de grandes dimensões e que pelo menos 17 seres humanos adultos foram queimados no local. Porém, afirmou que era preciso mais tempo para comprovar cientificamente que todos os 43 estudantes tiveram seus corpos incinerados no aterro.

O GIEI considerou os resultados preliminares e afirmou que a perícia não resolveu as questões centrais pelas quais foi contratada. Além disso, mostrou seu descontentamento com a Procuradoria por sua "decisão unilateral" de realizar uma entrevista coletiva para divulgação, sem avisar os familiares das vítimas.

Apesar de ter rompido com a Procuradoria na questão da perícia, o GIEI disse que continuará colaborando com as investigações, cujos resultados que serão anunciados nas próximas semanas, antes do fim do mandato do grupo, que se encerra no fim do mês.

"O GIEI assinalou às autoridades que cumprirá com o trabalho pelo qual foi convocado, focará no relatório, nas vítimas e na revisão final do expediente, assim como na lei de desaparecimento de pessoas", esclareceu o grupo da CIDH.

A especialista guatemalteca Claudia Paz, representante do GIEI, explicou que a reunião de sexta-feira irá ocorrer porque eles têm "muitas dúvidas" sobre o processo.

"Precisamos de esclarecimentos e que a Procuradoria diga aos especialistas de fogo que deixem o grupo saber se houve opiniões discrepantes sobre os resultados preliminares, o que agora foi impedido alegando confidencialidade", afirmou Paz.

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