Ministro da Agricultura assume como premiê interino da Islândia até eleições

Copenhague, 6 abr (EFE).- O ministro da Agricultura da Islândia, Sigurdur Ingi Johannsson, assumirá o posto de primeiro-ministro interino do país em função da renúncia do então titular do cargo, David Gunnlaugsson, envolvido no escândalo de ocultação de dinheiro por meio de offshores conhecido como Panama Papers, que envolve políticos, empresários e celebridades de todo o mundo.

O anúncio foi feito nesta quarta-feira pelo líder do Partido da Independência e ministro das Finanças, Bjarni Bendiktsson, e pelo próprio Johannsson, do Partido Progressista, legendas que comandam o país em coalizão desde 2013. Além disso, eles informaram que as eleições gerais, previstas para ocorrer daqui a um ano, serão antecipadas para o segundo semestre de 2016.

Tanto a mudança do primeiro-ministro como a composição do novo governo serão formalizadas amanhã, informaram os líderes do governo de centro-direita da Islândia, que nos últimos três dias sofreu fortes pressões internas e externas.

O anúncio pôs fim a uma jornada de incertezas depois que Gunnlaugsson divulgou ontem à noite um comunicado no qual afirmava não ter renunciado e que estava deixando o cargo temporariamente em mãos de Sigurdur Ingi Jóhannsson, afirmação que foi desmentida depois por pesos pesados de seu partido.

Sigmundur David Gunnlaugsson, que conservará seu mandato como deputado, tornou-se a primeira baixa causada pelos Panama Papers.

As informações divulgadas no domingo por diversos veículos de imprensa e o Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação revelaram que ele e sua esposa, Sigurlaug Pálsdóttir, possuíam uma offshore nas Ilhas Virgens Britânicas de nome Wintris.

Eles depositaram nela quase US$ 4 milhões em bônus dos três grandes bancos islandeses, afetados pela crise de 2008, e no final do ano seguinte, meses após entrar no parlamento, David Gunnlaugsson vendeu seus 50% na offshore a sua esposa por um dólar.

Embora tenha reiterado que nem ele ou sua mulher tenham usado a empresa para não pagar impostos na Islândia e rejeitado inicialmente que fosse renunciar, as pressões externas, tanto políticas como de milhares de manifestantes e de seu próprio partido forçaram ontem sua saída.

Gunnlaugsson tinha pedido ao presidente do país, Ólafur Ragnar Grimsson, a dissolução do parlamento, algo ao qual este se negou até falar com Bjarni Benediktsson, que também é citado nos Panama Papers.

As quatro legendas de oposição - social-democratas, Partido Pirata, Movimento de Esquerda Verde e Futuro Brilhante - tinham apresentado na segunda-feira uma moção de censura contra o governo que não chegou a ser votada.

A saída de Gunnlaugsson do governo era uma reivindicação popular, da mesma forma que o antecipação das eleições: segundo uma pesquisa divulgada ontem pela rede de televisão pública Ruv, 81% da população se mostrava a favor de sua renúncia.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos