Poroshenko diz que criou sociedades em paraísos fiscais "por transparência"

Tóquio, 6 abr (EFE).- O presidente ucraniano, Petro Poroshenko, afirmou nesta quarta-feira que criou várias sociedades inscritas em paraísos fiscais "por motivos de transparência" e para "separar seus ativos gerados por sua atividade empresarial" de sua função pública.

Poroshenko se defendeu assim das acusações que surgiram após a divulgação de que é titular de três offshores no escândalo "Panama Papers", as filtragens divulgadas no domingo passado pelo Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação (ICIJ).

"Meu caso é muito diferente a outros de ocultação de ativos. Não há nenhuma conexão com o orçamento estatal e nem com minha função pública", afirmou o líder ucraniano ao ser questionado em entrevista coletiva realizada hoje em Tóquio antes de se reunir com o primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe.

Poroshenko afirmou que Roshen, o grupo empresarial de sua propriedade que abriu em 2014 três sociedades nas Ilhas Virgens Britânicas, Chipre e Holanda, "operou sempre dentro da legalidade e com propósitos claros e transparentes".

A criação de Roshen "foi anunciada publicamente em seu dia" e o grupo "nunca esteve envolvido em nenhuma atividade de especulação financeira e nem de outro tipo", recalcou Poroshenko, que convidou os jornalistas "a investigar seus documentos públicos em profundidade" para corroborar suas afirmações.

"Não se tratava de uma conta oculta e nem associada a outras companhias, nem registrada sob o nome de outros beneficiados, como em outros documentos do "Panama Papers'. Esta é a grande diferença do meu caso", disse o líder ucraniano.

Poroshenko evitou se pronunciar sobre se pretende renunciar por causa destas revelações, como reivindicaram alguns líderes da oposição ucraniana, e se limitou a confiar em uma "pronta solução" da delicada situação política que sua coalizão de governo atravessa após ficar em minoria no parlamento.

"Não podemos adiar a solução de forma indefinida. Há reformas constitucionais e de outro tipo, assim como a situação da Crimeia, que devem ser resolvida o mais rápido possível", afirmou.

As críticas contra Poroshenko denunciam que suas empresas nos países fiscais foram registradas em agosto de 2014, o momento mais duro da guerra no leste da Ucrânia, quando centenas de soldados ucranianos morriam em combates com os separatistas pró-Rússia.

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