Vargas Llosa é citado nos Panama Papers como acionista de offshore

Madri, 6 abr (EFE).- O escritor Mario Vargas Llosa "foi acionista" durante apenas um mês de uma offshore baseada nas ilhas Virgens Britânicas da qual se desvinculou antes de ganhar o prêmio Nobel, informou nesta quarta-feira o jornal espanhol "El Confidencial", que inclui seu nome na investigação dos chamados Panama Papers.

O vencedor do Nobel e sua esposa na época, Patricia, reagiram com "estranheza" em relação a esta informação e negam ter tido ligação com os advogados da empresa panamenha de advocacia e gestão de patrimônio Mossack Fonseca - de onde vazaram os documentos que deram origem ao gigantesco caso de ocultação de dinheiro por parte de políticos, empresarios e celebridades - ou "fundos ou bens" através de uma sociedade chamada Talome Services, disseram à Agência Efe fontes da agência literária que representa Vargas Llosa.

E caso houvesse uma relação, segundo os representantes do escritor, "somente pode ser atribuída a algum assessor de investimentos ou intermediário que, sem o consentimento dos senhores Vargas Llosa, reservou esta empresa para a realização de algum investimento que estava sendo estudado, sem que, finalmente, se materializasse em alguma ação concreta".

"Os senhores Vargas Llosa cumpriram sempre todas as suas obrigações fiscais na Espanha, assim como nos demais países com os quais geraram relações econômicas e tributárias, incluindo não somente o pagamento dos impostos, mas também o cumprimento de qualquer outra obrigação de caráter tributário, especialmente as de informação", acrescentaram.

Vargas Llosa, que acaba de completar 80 anos, recebeu ontem à noite em Paris uma homenagem na Sorbonne pela aparição de suas obras na coleção da biblioteca La Pléiade e está previsto que amanhã participe também de um ato público no Instituto Cervantes na capital francesa.

O jornal "El Confidencial" publica hoje alguns dos 11,5 milhões de documentos dos Panama Papers, a investigação conjunta realizada pelo Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação (ICIJ) junto com o jornal alemão "Süddeutsche Zeitung" e outros cem veículos de imprensa de todo o mundo.

Nele, se "mostra" que o escritor peruano "esteve muito perto de controlar a companhia Talome Services Corp. junto com sua ex-mulher Patricia Llosa durante um breve período de tempo em 2010".

A Talome Services, explica o jornal espanhol, está radicada nas Ilhas Virgens Britânicas, um território considerado como paraíso fiscal tanto pela Espanha, onde Vargas Llosa vive, como pela União Europeia.

A empresa foi comprada pelo casal por meio da Mossack Fonseca através de um intermediário, Dave Marriner, diretor da companhia holandesa Pan-Invest Management, com sedes em Chipre e Luxemburgo.

Das mil ações da companhia, 500 correspondiam a Patricia Llosa e as outras a Vargas Llosa a partir de 1º de setembro de 2010, e o endereço postal associado em sua condição de acionistas da Talome era o da residência do casal em Madri.

"Confirmada a inscrição, as correspondências entre Marriner e a Mossack foi interrompida até os dias prévios à escolha do prêmio Nobel de Literatura 2010", em 7 de outubro de 2010, que o peruano recebeu no dia 10 de dezembro.

Marriner "reaparece" em 6 de outubro "pedindo mudanças radicais no conjunto de acionistas da Talome. "Quando adquirimos a companhia, o fizemos com o requisito de que meus clientes fossem acionistas diretos. No entanto, os requisitos dos meus clientes mudaram e, por ainda não ter sido entregue a sociedade, queremos mudar os acionistas", disse ele, segundo o jornal espanhol.

"O intermediário envia mais três e-mails pressionando o escritório (Mossack Fonseca). Quando manda o último, reivindicando um número de acompanhamento para seu caso, Vargas Llosa já é Nobel de Literatura. Por fim, em 12 de outubro, as ações em poder do casal Llosa passam a dois cidadãos russos sem mais vinculações societárias", acrescenta o "El Confidencial".

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