Wisconsin dá asas aos pré-candidatos alternativos e pune Hillary e Trump

Marc Arcas.

Washington, 5 abr (EFE).- As eleições primárias realizadas nesta terça-feira no estado de Wisconsin, no centro-norte dos Estados Unidos, deram asas aos pré-candidatos alternativos à presidência do país, Bernie Sanders - no lado democrata - e Ted Cruz - no republicano -, e representaram duras derrotas para os favoritos Hillary Clinton e Donald Trump.

O revés foi especialmente difícil para Hillary e Trump porque ambos partiam com vantagem nas pesquisas há poucas semanas, mas Sanders e Cruz, que fizeram campanhas intensas no estado, conseguiram dar a volta nas pesquisas e venceram com grande vantagem sobre seus adversários.

Com mais da metade dos votos apurados, Sanders superou Hillary por uma diferença de mais de dez pontos, enquanto Cruz teve quase 20% de vantagem sobre Trump.

Além do simbolismo de suas vitórias, elas trazem um bom número de delegados para os vitoriosos, que darão mais vigor para suas campanhas na tentativa de conseguir a indicação nas convenções nacionais dos dois partidos, que acontecem em julho.

No caso de Cruz, o número mágico é 1.237, uma meta que não é matematicamente impossível, mas muito difícil de alcançar, já que o senador terá que vencer Trump em quase todos os estados que faltam e por margens muito amplas, já que tem apenas 455 delegados, além dos que ganhou hoje em Wisconsin.

A situação também é complicada para Sanders, que se autoproclama um socialista democrático, pois o senador precisa somar 2.383 delegados e atualmente tem por volta de mil.

Mesmo assim, se o senador por Vermont conseguir vencer Hillary na maioria dos estados que ainda vão votar, e por margens muito amplas, não só obteria os delegados em jogo em cada estado, mas também forçaria a mudança de orientação de voto de muitos dos chamados "superdelegados".

Estes superdelegados são cargos orgânicos e eleitos do Partido Democrata, que escolhem seu candidato à margem da decisão dos eleitores. A maioria deles se inclina em direção à ex-secretária de Estado, mas muitos poderiam mudar de opinião se Sanders conseguisse vencer no voto popular.

Após triunfar hoje em Wisconsin, o veterano senador afirmou que sua campanha passa por um "momentum", ou seja, um período de grande impulso devido às últimas vitórias em Utah, Idaho, Alasca, Havaí, no estado de Washington, entre os democratas residentes fora dos EUA e nesta terça.

A única derrota de Sanders desde 22 de março foi no Arizona, onde Hillary ganhou com ampla vantagem.

"O 'momentum' é começar esta campanha com entre 60 e 70 pontos atrás de Hillary e, nas últimas semanas, ver que as pesquisas indicam que estamos um ponto abaixo ou acima", disse Sanders em um comício em Laramie, no estado de Wyoming.

Wyoming será o próximo estado no processo de prévias com o caucus (assembleias populares) democrata, no sábado, um território que, a priori, é propício para Sanders, já que o senador triunfou em todos os estados vizinhos (Idaho, Utah, Colorado e Nebraska).

Mesmo assim, Wyoming só distribuiu um pequeno número de delegados, por isso o prato forte será no dia 19 de abril, o estado de Nova York, onde haverá um grande número de delegados em jogo, tanto para democratas como para republicanos.

Pelo lado dos conservadores, Cruz celebrou sua ampla vitória em Wisconsin e garantiu que tem "chances reais" de conseguir a indicação do partido para ser o candidato presidencial nas eleições de novembro.

Em Milwaukee, a maior cidade de Wisconsin, o senador conservador pelo Texas classificou sua vitória sobre o magnata Donald Trump e o governador de Ohio, John Kasich, como um "ponto de inflexão" na corrida das primárias, e comentou que esse estado "acendeu uma luz que mostra o caminho a ser seguido".

"Estamos unindo o Partido Republicano. Todo o espectro do Partido Republicano está se unindo em trono desta campanha", opinou o senador, em referência a quadros importantes do partido conservador que, nas últimas semanas, revelaram publicamente seu apoio a ele.

Cruz é visto pela maioria de integrantes do 'establishment' do Partido Republicano como a única opção para conter uma hipotética indicação de Trump, por isso, mesmo tendo criticado o senador abertamente no passado por seus posicionamentos ultraconservadores, esses membros do partido agora se juntam a ele.

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