De la Calle diz que teve sociedade no Panamá e que a declarou na Colômbia

Bogotá, 7 abr (EFE).- O chefe negociador do governo colombiano no processo de paz com as Farc, Humberto de la Calle, disse nesta quinta-feira que teve uma sociedade familiar no Panamá, já dissolvida, e que o tempo todo as autoridades de seu país tiveram conhecimento da mesma, já que fornecia informações sobre ela anualmente.

Por causa do escândalo "Panama Papers", no qual aparecem detalhes sobre 850 colombianos, segundo os meios de comunicação, De la Calle emitiu um comunicado para fornecer informação sobre a sociedade Davinia, que constituiu no começo de 2009 e que, sustenta, foi sempre transparente perante a Colômbia.

A Davinia foi criada "por razões de segurança e confidencialidade" e "com o único fim de servir de possuidora" do patrimônio familiar do chefe negociador, indica o comunicado, no qual também ressalta que a sociedade "foi registrada ao momento de sua constituição perante o Banco da República", autoridade monetária da Colômbia.

Também foi "declarada anualmente perante a Superintendência de Sociedades e a autoridade tributária" do país sul-americano, acrescenta De la Calle.

A Davinia "não teve contas bancárias, nem gerou ingressos de nenhuma índole, nem fez empréstimos e nem realizou operações lucrativas. Durante sua existência, os impostos relacionados com esse patrimônio, situado integralmente na Colômbia, foram pagos em sua totalidade e de forma oportuna", continua.

E acrescenta que "tais impostos foram liquidados de acordo com a lei colombiana por se tratar de bens na Colômbia. Portanto, até se a sociedade tivesse sido colombiana, os impostos teriam sido iguais".

A sociedade "não existe atualmente" e, assegura De la Calle, "seu patrimônio foi incorporado a uma sociedade colombiana, à qual pertence unicamente meu núcleo familiar, e que também se encontra legalmente registrada na câmara de Comércio de Bogotá".

"Hoje não tenho qualquer relação com sociedades panamenhas e nem com nenhuma outra sociedade estrangeira atualmente vigente", acrescenta no comunicado.

O chefe negociador explica no texto que pesquisadores da Connectas, plataforma de meios de comunicação que lidera o caso, e outros veículos de imprensa, consultaram sobre o assunto e que foi entregue "toda a informação relevante", além de pôr à disposição sua declaração de renda.

No entanto, De la Calle ressaltou que, embora apoie o "trabalho jornalístico" por trás desta investigação, "foi criada uma situação injusta, que viola os direitos de algumas das pessoas reportadas".

De qualquer forma, De la Calle afirmou que toda a informação sobre a Davinia está disponível para as autoridades competentes "se considerarem pertinente".

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