EUA negam acusação da Rússia sobre vazamento de documentos do Panama Papers

Washington, 7 abr (EFE).- Os Estados Unidos rebateram nesta quinta-feira as acusações do presidente da Rússia, Vladimir Putin, de que o governo americano está por trás dos vazamentos do Panama Papers, escândalo de ocultação de dinheiro por meio de offshores que envolve políticos, empresários e celebridades.

"Rejeitamos a afirmação de que estamos envolvidos de qualquer modo no vazamento destes documentos", disse o porta-voz do Departamento de Estado, Mark Toner, durante entrevista coletiva.

Já o porta-voz-adjunto da Casa Branca, Eric Schultz, disse que não sabia no que Putin se baseou quando acusou "funcionários públicos e órgãos oficiais" dos Estados Unidos pelo vazamento.

"Eu só posso falar pelo meu presidente (Barack Obama). Quando ele fala de temas de alta relevância política, sempre o faz baseando-se em fatos", afirmou Schultz aos jornalistas que participavam de uma viagem do líder americano a Chicago.

Putin afirmou hoje que os Panama Papers são um "produto informativo" elaborado sob encomenda do Ocidente para resistir à crescente independência política e econômica da Rússia, algo que, avaliou, foi demonstrado recentemente na Ucrânia e na Síria.

Toner não quis comentar sobre o conteúdo dos vazamentos nem sobre as revelações feitas sobre pessoas do entorno de Putin.

O porta-voz admitiu, no entanto, que uma das organizações que colaboraram com a investigação jornalística prévia à publicação dos documentos recebe verba da Agência Americana para o Desenvolvimento Internacional (Usaid), vinculada ao Departamento de Estado.

Trata-se do Projeto de Reportagens sobre Crime Organizado e Corrupção, que colaborou com o trabalho coordenado pelo Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação (ICIJ, na sigla em inglês), com sede em Washington.

"O Projeto de Reportagens sobre Crime Organizado e Corrupção recebeu apoio de vários doadores, incluindo o governo americano, e faz jornalismo de investigação principalmente na Europa", explicou o porta-voz do Departamento de Estado.

"Os EUA não financiam esse tipo de iniciativa para ir contra governos ou indivíduos em particular, mas para apoiar a condução de jornalismo de investigação independente que possa lançar luz sobre a corrupção. Nós não controlamos os recursos enviados pela Usaid à organização", defendeu Toner.

De acordo com o porta-voz, o governo americano ainda está revisando os Panama Papers e não chegou à conclusão se eles expõem atos corruptos ou não. Além disso, as autoridades dos EUA não determinaram se os 11,5 milhões de documentos do escritório panamenho de advocacia Mossack Fonseca "foram roubados e se houve atividade criminosa" para sua obtenção.

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