Kerry critica políticas regionais do Irã, apesar de defender acordo nuclear

Manama, 7 abr (EFE).- O secretário de Estado dos Estados Unidos, John Kerry, que está em visita oficial ao Bahrein, criticou nesta quinta-feira as políticas regionais do Irã, apesar de defender o acordo nuclear assinado entre a República Islâmica e o Grupo 5+1 (EUA, Rússia, França, Reino Unido, China, mais Alemanha).

Em entrevista conjunta com o ministro das Relações Exteriores do Bahrein, Sheikh Khalid Ahmed al Khalifa, Kerry disse que os EUA continuarão trabalhando com seus aliados do Golfo Pérsico para impulsionar uma mudança nas políticas iranianas, embora defendeu que o acordo nuclear foi elaborado para limitar a capacidade do Irã em obter armamentos deste tipo.

Além disso, afirmou que seu país centrará os esforços em manter suas capacidades defensivas contra qualquer ameaça iraniana, particularmente os mísseis balísticos e o apoio a grupos extremistas, uma referência à organização xiita libanesa Hezbollah e aos rebeldes houthis no Iêmen.

O chefe da diplomacia americana também denunciou o respaldo do Irã ao regime do presidente da Síria, Bashar al Assad, no conflito que já dura mais de cinco anos no país.

Por outro lado, Kerry criticou o presidente do Iêmen, Abdo Rabbo Mansour Hadi, apoiado pelos países do Golfo Pérsico. Sem citar as recentes informações sobre o uso de armas americanas pela coalizão árabe liderada pela Arábia Saudita no país, o secretário de Estado disse que Hadi "complicou as coisas nas últimas horas".

Kerry se referia a recente decisão de Hadi de destituir seu ex-vice-presidente e ex-primeiro-ministro, Khaled Baha, em meio a novos combates no Iêmen e na fronteira do país com a Arábia Saudita.

O chefe da diplomacia americana reafirmou o apoio do país ao cessar-fogo no Iêmen, que está previsto para começar no domingo.

Por outro lado, pediu ao Bahrein e seus aliados no Golfo Pérsico para implementar mais reformas na luta contra os extremistas.

"O Bahrein fez grandes progressos em alguns aspectos. Criou instituições que operam na segurança, mas ainda há trabalho a fazer", indicou Kerry, acrescentando que as reformas garantiriam uma redução da ameaça de terrorismo, que não para de crescer.

Já o ministro das Relações Exteriores do Bahrein disse que os países do Golfo Pérsico apoiam "com ressalvas" o acordo nuclear com o Irã. Para ele, não há razão para mudar o posicionamento devido às contínuas ameaças da República Islâmica.

Antes da reunião com o rei do Bahrein, Hamad bin Issa al Khalifa, Kerry elogiou, em uma entrevista ao lado do monarca, os passos que o Bahrein está dando para impulsionar um processo político.

"Notamos o compromisso genuíno para tentar encontrar um caminho para o futuro. Estamos também agradecidos pelo trabalho no Afeganistão e na coalizão contra o Estado Islâmico. Estamos progredindo, mas acho que podemos fazer mais", disse Kerry.

O secretário de Estado realizará outras reuniões com representantes do alto escalão do Bahrein ainda hoje. Está previsto que os encontros abordem a segurança regional em relação ao Irã, Síria e Iêmen, além da luta contra o EI.

Além disso, a participação de Kerry na reunião ministerial do Conselho de Cooperação do Golfo servirá como preparação para a cúpula da aliança regional, marcada para o próximo dia 21, em Riad.

O presidente dos EUA, Barack Obama, irá à capital saudita para se reunir com os líderes do conselho, formado por Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Catar, Bahrein, Omã e Kuwait.

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