Macri anuncia que colocará bens em fideicomisso para mostrar transparência

Buenos Aires, 7 abr (EFE).- O presidente da Argentina, Mauricio Macri, anunciou nesta quinta-feira que criará um fideicomisso para colocar seus bens e fazer com que sejam administrados por outras pessoas enquanto ele permanece em função pública.

"Esta é a maneira com a qual eu me desamarro de tudo o que tem a ver comigo para que outras pessoas o administrem", disse o presidente em um ato na sede do governo, após garantir que não tem "nada a esconder" em relação ao caso Panama Papers, no qual foi citado como tendo participação nas offshores Kagemusha S.A. e Fleg Trading Ltd, sediadas no Caribe.

Macri explicou que criará um "fideicomisso cego", a partir do qual pessoas que ele não conhece administrarão seus bens enquanto ele permanece na função pública.

"Eu o faço porque não quero existam dúvidas", afirmou Macri, que destacou que nenhum presidente da Argentina adotou uma iniciativa desde este tipo para garantir "transparência" aos cidadãos.

Após o ato, o ministro da Justiça, Germán Garavano, disse à imprensa que o "fideicomisso cego" é um "instrumento financeiro no qual o presidente se desamarra de todos os investimentos e da administração de seus bens".

"Isto permite claramente mostrar que o presidente não quer enriquecer em sua gestão, mas simplesmente, por um meio independente, conservar os fundos que tem", alegou o ministro.

Garavano ressaltou que a decisão de Macri de criar este fideicomisso "é um exemplo e é algo que a sociedade deve avaliar muito positivamente".

Além de anunciar a criação do fideicomisso, Macri disse que amanhã vai se apresentar à Justiça para pedir "uma declaração de certeza" para verificar que não houve uma "omissão maliciosa" em sua declaração jurada de bens enquanto era prefeito de Buenos Aires.

O presidente tomou esta decisão depois que um procurador pediu hoje para investigar se houve crime na participação de Macri em offshores sediadas em paraísos fiscais.

A decisão do procurador foi tomada em função de uma denúncia apresentada pelo deputado kirchnerista Norman Darío Martínez, que, segundo Delgado, "justifica a abertura de uma investigação" para determinar se o presidente "omitiu maliciosamente" sua participação nessas empresas em suas declarações juradas de bens e ativos.

A denúncia foi feita após o escândalo causado pelos documentos chamados Panama Papers ("papéis do Panamá"), um gigantesco caso de ocultação de dinheiro que envolve políticos, empresários e celebridades de diversas áreas por meio de empresas em paraísos fiscais.

Em alguns desses documentos, que foram vazados por uma fonte anônima ao jornal alemão "Süddeutsche Zeitung" e revelados pelo Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação (ICIJ), Macri é citado como diretor da empresa Fleg Trading Ltd, radicada nas Bahamas e que não consta em suas declarações juradas.

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