Parlamento macedônico se dissolve e dá passagem para eleições antecipadas

Skopje, 7 abr (EFE).- O parlamento macedônio se dissolveu na madrugada desta quinta-feira, abrindo assim via para a realização de eleições antecipadas em 5 de junho, embora isso não encerre a crise política suscitada por um escândalo de escutas telefônicas, pois o principal partido de oposição anunciou boicote ao pleito.

O partido social-democrata SDSM anunciou que não participará das eleições pois considera que os problemas do censo eleitoral e da liberdade de imprensa não estão resolvidos.

"Em nome da democracia, o SDSM não participará destas falsas eleições", disse o líder social-democrata, Zoran Zaev, momentos antes de dissolução do parlamento.

A princípio, estava previsto que o pleito antecipado seria realizado em 24 de abril, mas finalmente a reunião foi adiada depois que o partido social-democrata SDSM ameaçou boicotá-la se não fossem aplicadas algumas reformas no processo eleitoral, particularmente no regulamento de confecção das listas e na política de veículos de imprensa.

A este pedido se somaram Estados Unidos e União Europeia, que através de seus embaixadores disseram que não existiam as condições para "eleições críveis" e pediram aos líderes dos principais partidos que considerassem outra data.

A UE, Estados Unidos e SDSM reivindicavam reformas profundas no sistema midiático para obter uma cobertura equitativa, já que a maioria dos meios de comunicação influentes na Macedônia apoiam as políticas da aliança conservadora VMRO-DPMNE, do ex-primeiro-ministro Nikola Gruevski.

Os partidos de governo (VMRO-DPMNE e a minoria albanesa União Democrática para a Integração - BDI) acordaram então adiar a dissolução até 7 de abril para dar mais tempo às instituições para resolver os problemas.

Entre os pontos que cabia resolver figurava a atualização do censo eleitoral, ao qual seria preciso incorporar novos eleitores e que necessitava eliminar cidadãos recentemente mortos.

A crise política na Macedônia começou há um ano quando o SDSM publicou centenas de conversas de membros do governo, incluído Gruevski, obtidas por grampos de telefones, e assegurando que faziam isso para mostrar casos de corrupção.

Gruevski respondeu a estes materiais assegurando que eram falsos e que os áudios tinham sido editados e entregues à oposição "por corpos de inteligência estrangeiros para derrubar o governo".

Quando a alta tensão do clima político pôs em perigo a estabilidade institucional do país e sua integração na União Europeia, se chegou a um acordo entre partidos, promovido por Bruxelas e Washington, que estabelecia a convocação de eleições antecipadas para 24 de abril, a renúncia do primeiro-ministro Gruevski 100 dias antes de estas eleições, e a criação de uma Promotoria dedicada a estes casos de corrupção.

Após a renúncia em janeiro de Gruevski, que dirigia o governo desde 2006, Emil Dimitriev foi nomeado como novo primeiro-ministro interino.

A fim de facilitar a situação e fortalecer a confiança da oposição para o processo eleitoral, Gruevski -antes de abandonar o gabinete- incluiu dois membros do partido social-democrata no governo.

As últimas pesquisas de opinião divulgadas mostram que o VMRO-DPMNE e Gruevski, que anunciou que voltará a concorrer, continuam sendo a força política e o político mais populares deste país, com o dobro das intenções de voto do SDSM.

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