Putin diz que EUA descumpriram compromisso de destruir plutônio militar

Moscou, 7 abr (EFE).- O presidente da Rússia, Vladimir Putin, acusou nesta quinta-feira os Estados Unidos de descumprirem seu compromisso de destruir 34 toneladas de plutônio militar por meio de conversão em combustível nuclear para uso pacífico.

"Assinamos um acordo e pactuamos que esse material seria destruído de uma maneira industrial", mediante sua conversão, "para a qual teriam que ser construídas indústrias especiais. E agora anunciam que a destruirão acontecerá de outra maneira, mediante sua dissolução e conservação", queixou-se Putin durante um fórum realizado hoje em São Petersburgo.

A falta deste compromisso, firmado entre os dois países há 15 anos, "será certamente outro elemento de irritação" nas relações bilaterais, advertiu.

"Nossos parceiros", ressaltou Putin, "devem entender que em questões sérias, sobretudo no âmbito das armas nucleares, é preciso estar com disposição de cumprir os compromissos".

Putin também argumentou sua recusa em participar da Cúpula de Segurança Nuclear realizada na semana passada em Washington, apesar de ter reconhecido que o presidente americano, Barack Obama, o convidou pessoalmente ao evento.

"Meu colega meu convidou pessoalmente. E não tinha nada contra ir, mas nossos especialistas no âmbito nuclear e o Ministério das Relações Exteriores me desaconselharam. Uma grande potência nuclear como a Rússia não pode participar de um evento assim sem poder influir nas decisões que são tomadas", afirmou Putin.

Washington, acrescentou o líder russo, transformou a cúpula "em um evento caseiro, enquanto o habitual é que este tipo de evento seja realizado em um clima de consenso e com a possibilidade de tomar parte na elaboração das decisões finais".

Especialistas russos denunciaram que a desistência de Washington de converter o plutônio em combustível de uso pacífico MOX, uma mistura de óxido de urânio e óxido de plutônio, lhe permite recuperar este material para uso militar.

"O principal problema da dissolução e conservação é que não garante sua total inutilização para uso armamentístico. Qualquer material misturado com outro pode ser reconstruido até seu estado inicial", disse recentemente a prestigiada revista "Atominfo", especializada em informações sobre energia nuclear.

A Rússia iniciou há poucos meses dois grandes projetos para cumprir sua parte: uma usina de conversão de plutônio em combustível MOX e um novo reator de nêutrons rápidos na usina nuclear de Beloyarsk, que funciona com esse combustível.

Moscou também avançou no cumprimento de outro acordo assinado com os Estados Unidos em 2004 para o retorno à Rússia do urânio altamente enriquecido usado em 26 reatores de pesquisa construídos pela União Soviética em 18 países.

Em 2004, Rússia e EUA criaram o programa RRRFR (Russian Research Reactor Fuel Return), pelo qual Moscou se comprometeu a receber de novo em seu território o combustível de 14 dos 18 países onde tinha construído reatores de urânio altamente enriquecido.

A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) constatou, 12 anos depois, que, como estava previsto, dez dos 14 países envolvidos no programa ficaram livres de urânio altamente enriquecido.

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