Alfredo Barnechea, o intelectual que quer ser presidente do Peru

Mónica Martínez.

Lima, 8 abr (EFE).- O candidato presidencial Alfredo Barnechea é um intelectual e político peruano de 63 anos que disputa as eleições pelo partido centrista Ação Popular, do ex-presidente Fernando Belaúnde Terry, responsável por dirigir o país no retorno à democracia em 1980.

Em sua chapa estão o legislador Víctor Andrés García Belaúnde, na primeira vice-presidência, e Edmundo del Águila, na segunda vice-presidência, que entraram na campanha com a expectativa de salvar a inscrição legal de seu partido.

Barnechea propõe em seu plano de governo a volta à construção de grandes infraestruturas e imóveis sociais, como Belaúnde Terry incentivou em seu mandato, assim como o estímulo a novos setores produtivos que marchem ao lado da mineração e da agricultura.

No entanto, o início de Barnechea na política peruana aconteceu pelo Partido Aprista Peruano, do qual foi deputado entre 1985 e 1990, durante o primeiro governo do ex-presidente Alan García.

O intelectual também se candidatou à prefeitura de Lima pelo partido Aprista em 1983, mas foi derrotado pelo esquerdista Alfonso Barrantes.

Sua militância aprista terminou em 1988, nove anos após sua afiliação oficial nesse partido.

Barnechea atribuiu seu afastamento à estatização dos bancos anunciada por García em seu primeiro governo, que também valeu a inimizade do ex-mandatário com as grandes empresas.

O candidato fez um mestrado em Administração Pública na Universidade de Harvard em 1990, após ter estudado na faculdade de Letras da Pontifícia Universidad Católica do Peru.

Antes de incorporar-se à política, Barnechea se dedicou ao jornalismo e conduziu um programa de entrevistas no qual conversou com as principais figuras do ambiente político do país.

Barnechea casou-se com Claudia Ganoza Temple, herdeira de um dos mais importantes empresários do norte do país e enteada de Javier Pérez de Cuéllar, ex-secretário geral das Nações Unidas.

Nos últimos anos se dedicou a assessorar empresas como as espanholas Prisa, Maritim e Sacyr, e também foi diretor de Relações Externas do Banco Interamericano de Desenvolvimento.

Na atual campanha, ganhou o apelido de "príncipe" depois que o candidato ao Congresso pelo partido Força Popular, Kenyi Fujimori, disse que Barnechea pareceria um "príncipe herdeiro" se visitasse um assentamento, ao contrário de sua irmã, a candidata presidencial Keiko Fujimori, que percorre o país há anos.

O apelido é atribuído também ao fato de que o candidato provém de um setor abastado da sociedade, a seu jeito de falar de forma pausada e aos gestos calculados, que não impediram que rejeite com tom ríspido alguns presentes oferecidos pelos cidadãos em suas visitas de campanha.

Suas declarações a favor do aborto em caso de estupro e do casamento gay lhe valeram a reprovação do arcebispo da cidade de Arequipa, Javier del Rio, que pediu a seus fiéis que não votasse nele nem na esquerdista Verónika Mendoza, porque seria "um pecado".

"Vou rezar ao Senhor de Luren, que é a devoção na qual nasci, para que ilumine o arcebispo e, além disso, não use o púlpito da catedral para fazer política", respondeu Barnechea.

O candidato explicou que "a qualidade da democracia se define pelo mandato das maiorias e pelo argumento das minorias", e acrescentou que há "circunstâncias excepcionais" em que tem que respeitar-se a decisão individual da mulher nos casos de aborto.

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