Aos 77 anos, Kuczynski quer ser o presidente mais velho da história do Peru

Fernando Gimeno.

Lima, 8 abr (EFE).- O economista e ex-ministro Pedro Pablo Kuczynski pode se tornar, aos 77 anos, no presidente mais velho já eleito democraticamente no Peru se ganhar as eleições em sua segunda tentativa de chegar à presidência do país.

Com o partido Peruanos Pelo Kambio (PPK), seu próprio movimento político, Kuczynski ficou às portas do segundo turno no pleito de 2011, quando acabou apoiando Keiko Fujimori, a filha do ex-presidente Alberto Fujimori, a quem espera enfrentar agora em um hipotético segundo turno.

Para esta eleição, ele recebeu o apoio do vencedor do Prêmio Nobel de Literatura de 2010, Mario Vargas Llosa, que afirmou que espera que o candidato possa obter o apoio suficiente para derrotar Fujimori.

Casado atualmente com a americana Nancy Ann Lange, prima da atriz vencedora de dois prêmios Oscar Jessica Lange, Kuczynski é criticado por sua nacionalidade americana, à qual garantiu ter renunciado de maneira definitiva no ano passado depois que em 2011 deixou o trâmite pendente.

Além da nacionalidade, o candidato é tachado de "gringo criollo" porque nasceu em Lima em 1938 e é filho do médico judeu alemão Maxime Kuczynski, que chegou ao Peru fugindo do nazismo para estudar doenças tropicais na Amazônia, e da professora franco-suíça Madeleine Godard, tia do cineasta Jean-Luc Godard.

Se for eleito, Kuczynski quer abastecer de água potável dez milhões de peruanos, uma tarefa que começou com sua ONG Água Limpa, fundada há cinco anos e, entre suas propostas, também está impulsionar a economia peruana com um corte de impostos para pequenas e médias empresas e investidores.

O candidato prometeu renegociar os contratos de exportação de gás da jazida de Camisea em um comício nessa região dos Andes do sul do Peru, onde é lembrado por ser o primeiro-ministro do governo que assinou esses acordos.

Até agora, Kuczynski tinha se negado de forma contundente a tomar essa medida, e inclusive neste ano chamou de "ignorante" um jornalista que lhe perguntou sobre esse assunto.

Formado em Economia nas universidades de Oxford (Inglaterra) e Princeton (Estados Unidos), Kuczynski se apresenta como um especialista nas receitas neoliberais que assentaram as bases para o crescimento sustentado que a economia peruana teve nos últimos anos.

Seus oponentes, por outro lado, o acusam de ser um político "lobista" por supostamente ter favorecido empresas privadas quando trabalhou no setor público.

Quando era gerente do Banco Central, ele foi acusado pelo governo militar de Juan Velasco Alvarado de fazer um pagamento irregular à filial da International Petroleum Company (IPC), empresa que tinha sido nacionalizada.

Kuczynski se refugiou nos Estados Unidos para evitar sua detenção e não voltou ao Peru até 1980, quando o presidente Fernando Belaúnde Terry o nomeou ministro de Energia e Minas, sua especialidade.

Como ministro promulgou a denominada lei Kuczynski, que fomentava a exploração de petróleo e de gás, mas que foi revogada pelas críticas às isenções tributárias que permitia a empresas estrangeiras.

Kuczynski voltou a emigrar do Peru em 1982 devido a ameaças do grupo terrorista Sendero Luminoso, mas Alejandro Toledo o resgatou para o governo após ganhar as eleições de 2001 e, primeiro, o nomeou ministro de Economia e Finanças, e depois primeiro-ministro.

Fora da política, Kuczynski é um respeitado músico, cuja destreza na flauta transversal não hesita em mostrar publicamente para exibir os estudos que fez em sua juventude na Suíça e na Inglaterra.

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