Economia peruana avança com Humala, apesar de cenário internacional adverso

Mónica Martínez.

Lima, 8 abr (EFE).- O presidente do Peru, Ollanta Humala, assumiu o comando do país sob o temor de que suas medidas para conseguir uma maior inclusão social atrapalhassem o crescimento, mas, cinco anos depois, entregará ao seu sucessor uma economia em expansão, com expectativas de seguir prosperando no futuro, apoiada nos setores de mineração e gás.

Segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI), o crescimento peruano em 2015, de 3,26%, foi um dos maiores da região e consolidou a recuperação do país. O governo garante que está deixando a economia em boas condições e com perspectivas de chegar a uma alta de 4% em 2016.

As previsões se baseiam em uma maior produção da mineração, uma política fiscal moderadamente expansiva e a recuperação do consumo privado.

A maior parte dos candidatos à presidência do Peru concorda com a manutenção do modelo econômico adotado nos últimos 15 anos, embora com mais facilidades para a inclusão dos setores menos favorecidos, além da necessidade de dotar de serviços básicos extensas regiões que ainda não recebem os benefícios de um PIB em alta.

O economista Jorge González Izquierdo disse à Agência Efe que o desafio do próximo governo será fazer com que a economia vá além do crescimento de 4% ou 5% ao ano, usando a expansão para resolver os problemas fundamentais do país.

"Esse crescimento potencial ainda é muito pequeno, tem que subir para 6-7%. Aí estaremos falando de coisas maiores, porque temos que fazer uma reforma da educação, da infraestrutura e das instituições do Estado", disse o analista.

No início de sua gestão, Humala aprovou um imposto sobre os lucros excessivos das mineradoras e um aumento dos royalties com o objetivo de arrecadar US$ 1 bilhão por ano para o Tesouro Público, mas o plano não funcionou devido à queda dos preços internacionais das commodities, incluindo os metais.

No entanto, o presidente confia que o início das operações da mina de cobre Las Bambas e a ampliação de outras jazidas produzirão um aumento do PIB de 0,5% a 1% em 2016.

Izquierdo explicou que os setores de serviços e comércio foram responsáveis por deixar a economia peruana mais dinâmica desde 2014, e que a mineração só se recuperou no ano passado.

Faltando poucos meses para o fim de seu mandato, Humala anunciou que começará uma renegociação dos contratos de exportação de gás da Camisea para obter melhores royalties para o governo. Ele pretende mudar o valor de referência para a venda do produto aos Estados Unidos e ao Golfo do México, que é estabelecido pelo indicador Henry Hub, que caiu para US$ 2,20 por milhão de BTU.

Os candidatos à presidência afirmaram ser favoráveis à renegociação. A favorita nas pesquisas, Keiko Fujimori, filha do ex-presidente Alberto Fujimori, colocou em seu plano de governo um incentivo ao boom de investimentos produtivos, utilizando uma parte do Fundo de Estabilização Fiscal, para expandir o acesso à eletricidade, às telecomunicações, à água e às redes viárias.

O ex-ministro do governo de Alejandro Toledo (2001-2006) Pedro Pablo Kuczynski propõe uma redução gradual de três pontos percentuais do imposto geral sobre as vendas, que chegaria ao máximo a 15%, e uma simplificação do imposto de renda para que as empresas obtenham um crédito tributário para financiar um seguro desemprego aos novos trabalhadores.

Por outro lado, a congressista Verónika Mendoza, da esquerdista Frente Ampla, pretende fornecer um auxílio universal mínimo para cerca de 1 milhão de habitantes. Já o jornalista Alfredo Barnechea propõe a promoção da inovação produtiva, entre outros temas.

Izquierdo afirma que é preciso reconhecer que Humala manteve a estabilidade macroeconômica. "A situação fiscal, monetária e de inflação estão sob controle", analisou o economista.

O professor da Universidade do Pacífico também destacou o sucesso de alguns programas sociais, como o Bolsa de Estudos 18, destinado a dar acesso à educação superior aos melhores estudantes do país.

Além disso, o Peru foi um dos países que mais reduziu a pobreza na América Latina, caindo de 55,7% para 22,7% entre 2001 a 2014, segundo um recente relatório da Comissão Econômica para América e o Caribe (Cepal).

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