Panama Papers revelam operações obscuras no mercado de obras de arte

Washington, 7 abr (EFE).- Novas publicações dos Panama Papers revelaram nesta quinta-feira operações obscuras no mercado de obras de arte, que em alguns casos afetam litígios em andamento pela propriedade de trabalhos desaparecidos de artistas como Van Gogh, Picasso, Rembrandt e Modigliani.

O escândalo dos Panama Papers explodiu com o vazamento de mais de 11,5 milhões de documentos do escritório de advocacia panamenho Mossack Fonseca, especializado na gestão de capitais em paraísos fiscais, que envolve mais de 140 políticos e funcionários do alto escalão de governos de todo o planeta, além de celebridades, esportistas, cineastas, escritores e proprietários de obras de arte.

De acordo com o Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação (ICIJ, na sigla em inglês), cuja sede fica em Washington e que liderou a investigação junto ao jornal alemão "Süddeutsche Zeitung", os papéis lançariam uma luz, por exemplo, sobre o possível paradeiro da obra desaparecida de Amadeo Modigliani "Homem sentado com um bastão".

A pintura do artista italiano, avaliada em cerca de US$ 25 milhões, está desaparecida há décadas, desde que os nazistas a confiscaram de seu proprietário judeu. No entanto, seu legítimo herdeiro suspeita que o quadro esteja nas mãos da família Nahmad, uma das mais poderosas do mundo da arte.

Depois que uma investigação privada indicou que os Nahmad, uma família de origem sírio-libanesa, obtiveram a obra em um leilão em 1996, o neto do judeu que teve a obra confiscada apresentou um processo que ainda está em andamento.

Nos tribunais, a família Nahmad sempre alegou que não possui esse quadro de Modigliani, mas os Panama Papers revelam que ela controla a companhia "offshore" International Art Center, que, por sua vez, possui a pintura do artista italiano.

Segundo os documentos da Mossack Fonseca, David Nahmad, o rosto mais conhecido da família, é o único proprietário da empresa desde 2014, mas os Nahmad a controlaram durante 20 anos.

Apesar de ser talvez o mais significativo, o caso dos Nahmad é apenas um exemplo dos múltiplos vínculos entre o mercado de obras de arte e o escritório Mossack Fonseca que, cujos documentos demonstram, segundo o ICIJ, é uma "indústria pouco regulamentada onde o anonimato é frequentemente utilizado para proteger todo tipo de comportamentos questionáveis".

Além dos Nahmad, entre os documentos do escritório de advocacia panamenho também aparecem os nomes da família grega Goulandris, que se encontra no centro de uma batalha legal sobre o paradeiro de 83 obras de arte desaparecidas.

Outros nomes do mundo da arte incluem a neta do pintor espanhol Pablo Picasso, Marina Ruíz Picasso, a família Thyssen-Bornemisza, cuja coleção privada de arte constitui o núcleo do Museu Thyssen-Bornemisza de Madri, e o magnata chinês Wang Zhongjun.

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