Partidos encalham em negociação e Espanha se aproxima de novas eleições

Celia Sierra.

Madri, 8 abr (EFE).- O Podemos, terceira maior força política no Congresso da Espanha, se mostrou nesta sexta-feira contrário a facilitar um Executivo formado por socialistas e liberais, e anunciou uma consulta a suas bases, um gesto que as duas outras legendas consideram uma ruptura das negociações e traz à tona a possibilidade de novas eleições.

O líder do Podemos, Pablo Iglesias, que falou hoje com a imprensa pela primeira vez após a reunião de ontem entre os três partidos, se negou a facilitar um governo socialista-liberal e afirmou que saiu do encontro ontem "muito decepcionado", já que "para o Podemos eles disseram 'não' a tudo".

Os socialistas do PSOE precisam dos votos das duas formações emergentes - Podemos e Ciudadanos - para empossar seu líder Pedro Sánchez como presidente de governo, já que só contam com 90 cadeiras das 350 que compõem o Congresso, enquanto o Podemos conta com 69 e os Ciudadanos com 40.

O objetivo da reunião de ontem, promovida pelos socialistas, era explorar entre as três partes um possível acordo de governo, mas hoje o porta-voz socialista no Congresso, Antonio Hernando, garantiu que a postura de Iglesias "fecha a porta" à negociação.

"Obrigado por não tentar em absoluto, Pablo", disparou Hernando contra Iglesias, que por sua vez manteve sua proposta aos socialistas de formar um Executivo "de mudança" integrado por forças de esquerda e nacionalistas.

A consulta anunciada pelo Podemos, que os socialistas tacham de "artimanha", será realizada entre os dias 14 e 16 de abril e seu resultado será divulgado no dia 18.

Serão formuladas duas perguntas: "Você quer um governo baseado no pacto de Albert Rivera (Ciudadanos) e Pedro Sánchez (socialista)?" e "Você está de acordo com a proposta do governo de mudança defendida pelo Podemos?".

Tanto Iglesias como o resto da direção do Podemos anteciparam que responderão "não" na primeira questão e "sim" na segunda, uma opção na qual os liberais do Ciudadanos ficariam de fora.

Perante este novo capítulo de bloqueio das negociações, os socialistas anunciaram que seguirão trabalhando para encontrar uma solução para formar governo, enquanto o dirigente liberal José Manuel Villegas desafiou o Partido Popular (PP) - de centro-direita e que está no poder de forma interina - para que saia do "isolamento".

Segundo sua opinião, o Podemos foi ontem à reunião com o objetivo de romper e "substituir" o acordo de governo assinado por socialistas e liberais em fevereiro, e não com a intenção de melhorá-lo e negociá-lo, como lhe propunham ambos.

Embora o PP seja o partido mais votado (123 cadeiras), todas as formações do Congresso se recusam a pactuar com ele, já que a imagem de seu líder e atual presidente de governo interino, Mariano Rajoy, está afetada por vários casos de corrupção e quatro anos de cortes em despesa social.

A vice-presidente de governo, Soraya Sáenz de Santamaría, afirmou hoje que quando os socialistas admitirem que seu acordo tripartite não é possível, então Rajoy tentará um acordo com o PSOE para evitar novas eleições.

O temor a este novo cenário, que ameaçou surgir em várias ocasiões desde que foram realizadas as eleições do último dia 20 de dezembro, se estendeu hoje no Congresso espanhol após as declarações dos líderes políticos.

No muito improvável caso que as bases de Podemos optassem em 18 de abril por facilitar um governo socialista-liberal, ficaria uma margem pequena para explorar este hipotético acordo de governo, realizar uma posterior rodada de consultas do rei Felipe VI e promover uma sessão de posse antes de 2 de maio.

Esta é a data limite para que sejam realizados novos pleitos, cuja data seria provavelmente o próximo dia 26 de junho, e que estaria precedida de uma nova campanha eleitoral.

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