Presidenciáveis serão ouvidos em CPI peruana relacionada à operação Lava Jato

Lima, 8 abr (EFE).- Pedro Pablo Kuczynski, Alan García e Alejandro Toledo, candidatos à presidência do Peru, serão ouvidos por uma comissão parlamentar de inquérito sobre o suposto pagamento de propina por empresas brasileiras no país, uma investigação que começou após revelações feitas pela operação Lava Jato no Brasil.

No último dia 2 de novembro, o Congresso do Peru criou a comissão para esclarecer supostos encontros da consultora brasileira Zaida Sisson com autoridades do segundo mandato do ex-presidente Alan García (2006-2011) e do atual presidente Ollanta Humala.

Zaida, mulher do ex-ministro da Agricultura do Peru durante o governo de García, Rodolfo Betrán Bravo, foi citada na delação premiada do lobista Milton Pascowitch e se tornou um dos alvos da 17ª fase da Lava Jato, batizada de operação Pixuleco. Segundo a Polícia Federal, ela teria sido o elo do ex-ministro da Casa Civil José Dirceu em negócios de empresas brasileiras no país.

Um relatório da PF indica que Zaida foi destinatária de valores remetidos por uma empresa criada por Dirceu, a JD Consultoria. A empresária teria recebido cerca de R$ 364 mil entre 16 de janeiro de 2009 e 16 de novembro de 2011 para atuar na obtenção de contratos públicos para a Galvão Engenharia e a Engevix no Peru, afirmou Pascowitch em sua delação premiada.

"Achamos que é oportuno, em uma conjuntura eleitoral, não convocar os candidatos presidenciais. Mas eles serão ouvidos o quanto antes, se não ultrapassarem a cláusula de barreira", disse o presidente da CPI, Juan Pari, em referência ao mínimo de 5% que um partido tem que obter nas urnas para manter sua vigência legal.

"Aquele candidato à presidência que passar para o segundo turno será convocado após as eleições", acrescentou Pari.

García foi ouvido na comissão parlamentar em janeiro como testemunha a pedido de José Dirceu, que hoje está preso acusado de corrupção, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. E, ao lado de Alejandro Toledo, presidente do Peru entre 2001 e 2006, tem grandes chances de não atingir os 5% necessários para manter a inscrição de seu partido.

Já Kuczynski, que foi ministro da Economia e primeiro-ministro do governo de Toledo, prestou depoimento em fevereiro sobre a construção da Estrada Interoceânica, que une o Peru ao Brasil.

"Neste caso, não existe nada irregular. Por isso vim explicar tudo. Tratei de dar resposta a todas as perguntas", disse o candidato à presidência pelo partido Peruanos pelo Kambio (PPK), movimento político criado por ele próprio, que concorre com Verónika Mendoza para enfrentar Keiko Fujimori no segundo turno.

Por outro lado, o presidente da comissão parlamentar explicou que o prefeito de Lima, Luis Castañeda, não respondeu à convocação feita pelo grupo de trabalho porque tinha compromissos previamente programados. "Por isso, solicitou sua dispensa, mas afirmou que está disposto a comparecer no próximo chamado", disse Pari.

Castañeda e sua antecessora Susana Villarán serão ouvidos por seu envolvimento no projeto viário da Linha Amarela, que contou com a participação de empresas brasileiras.

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