Varela diz que Panamá usará diplomacia perante decisão "equivocada" da França

Cidade do Panamá, 8 abr (EFE).- O presidente do Panamá, Juan Carlos Varela, disse nesta sexta-feira que a decisão da França de voltar a incluir o país em sua lista de paraísos fiscais após o escândalo dos Panama Papers é "equivocada e desnecessária", e afirmou que neste caso seu governo usará "a diplomacia e a cooperação".

"Por um tema conjuntural fiscal, levar dois países a um confronto não é o correto, acredito que não é o que quer ver nem o povo francês nem o povo panamenho. Nós vamos usar a diplomacia e a cooperação porque é o primeiro mecanismo que se deve usar e esgotar", respondeu Varela à Agência Efe em uma entrevista coletiva.

Varela se recusou assim a aplicar medidas de reciprocidade contra a França, que nesta sexta-feira publicou o decreto que inclui o Panamá em sua lista de paraísos fiscais e que implica em "medidas fiscais dissuasórias", que não foram detalhadas e que começarão a ser aplicadas a partir do próximo dia 1º de janeiro.

"O volume de voz não define o caráter da pessoa. Se equivocam os que pensam que um tem que subir o tom", acrescentou Varela.

Os presidentes de ambos países tiveram nesta manhã uma conversa por telefone, que Varela qualificou de "diplomática" e "construtiva", e na qual o Panamá se comprometeu a implementar "mais agilmente" o acordo bilateral para evitar a dupla tributação e fomentar a troca de informação assinada em 2011.

Varela e Hollande também marcaram uma reunião entre os ministros de Finanças que será realizada em Paris "nos próximos dias", indicou nesta sexta-feira a chancelaria panamenha.

O ministro das Finanças francês, Michel Sapin, anunciou a decisão na terça-feira, depois que centenas de veículos de comunicação de todo o mundo revelaram que o escritório panamenho Mossack Fonseca foi contratado por distintas personalidades mundiais para criar companhias offshore e supostamente driblar os fiscos de seus países.

Por sua parte, o ministro da Economia e Finanças do Panamá, Dulcidio de la Guardia, disse na quarta-feira que a inclusão do país na lista é "injustificada", porque tinham sido respondidos 30 dos 35 pedidos de informação apresentados pela França.

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