Presidente do Djibuti é reeleito com 86% dos votos, segundo governo

Nairóbi, 9 abr (EFE).- O presidente do Djibuti, Ismail Omar Guelleh, foi reeleito com 86% dos votos para um mandato de cinco anos nas eleições realizadas ontem, segundo os resultados provisórios anunciados pelo ministro do Interior do pequeno país do Chifre da África, Abdoulkader Kamil Mohammed.

O ministro falou na noite de sexta-feira à televisão pública nacional para anunciar que os resultados eleitorais "provisórios", sem detalhar o número de votos apurados, davam a vitória a Guelleh, que obtém assim seu quinto mandato após ter ocupado o poder durante 17 anos.

"Obrigado ao povo de Djibuti pela confiança renovada e por sua adesão em massa", disse o líder posteriormente, em discurso dirigido à nação.

O presidente de Djibuti também agradeceu pelo fato de a jornada eleitoral ter ocorrido "em calma e com serenidade", sem se referir ao grande boicote lançado pela oposição perante a falta de transparência e garantias do processo eleitoral, segundo informações divulgadas pelas redes sociais.

"A capital é uma cidade morta, ninguém se movimenta", informava ontem a plataforma Movimentos dos Jovens da Oposição (MJO) pelo Facebook, onde muitos asseguravam que os centros de votação estavam vazios.

"Estou investido da confiança de meu povo", disse hoje Guelleh, que ressaltou sua "legitimidade" para continuar a defender os interesses de sua nação.

A oposição advertiu que as eleições seriam fraudulentas para dar a vitória do ditador, como em pleitos anteriores, e durante a campanha denunciou irregularidades no sistema eleitoral, nos cartões de identificação e na comissão eleitoral.

Além disso, a cobertura informativa do pleito foi complicada pela escassez de veículos de imprensa não controlados pelo regime autoritário de Guelleh, que nesta semana expulsou uma equipe da "BBC" que tinha ido ao país.

Guelleh, de 68 anos e cuja família governa Djibuti desde sua independência da França em 1977, concorreu como candidato do Agrupamento Popular para o Progresso (RPP), após ter modificado a Constituição para eliminar os limites do mandato presidencial.

Nas últimas eleições, realizadas em 2011, obteve 80% dos votos em meio a várias denúncias de irregularidades. O líder chegou ao poder em 1999 após suceder seu tio, Hassan Gouled Aptidon, que governou o país desde a independência da França, em 1977.

Devido a sua situação estratégica no golfo de Áden, no Djibuti está localizada uma das maiores bases militares francesas, assim como a única base militar americana na África, que nos últimos anos foi utilizada pelos EUA na luta contra o terrorismo internacional.

Em fevereiro, a China começou a construção de um centro logístico em Djibuti, o primeiro desse tipo que a potência asiática terá fora de suas fronteiras.

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