Cameron anuncia lei para fiscalizar entidades que contribuem para sonegação

Londres, 11 abr (EFE).- O primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron, anunciou nesta segunda-feira que elaborará uma nova lei para facilitar a fiscalização de bancos e escritórios de advocacia que ajudem seus clientes a sonegar impostos.

Em seu primeiro comparecimento à Câmara dos Comuns desde o escândalo Panama Papers, Cameron também anunciou um acordo com territórios britânicos ultramarinos como as ilhas Virgens, as ilhas Cayman e a ilha de Man para compartilhar dados fiscais com o Reino Unido.

"Nenhum governo tomou ações mais robustas contra a evasão fiscal", disse o primeiro-ministro, que negou qualquer prática ilegal a respeito de sua participação em um fundo de investimento offshore criado por seu pai.

O acordo para compartilhar informação fiscal, que entrará em vigor em setembro e que foi aderido por todos os territórios britânicos ultramarinos exceto Guernsey e Anguilla, permitirá que Londres saiba o nome de quem "controla" cada empresa registrada nessas dependências, informação até agora oculta.

O primeiro-ministro adiantou que será tipificado um novo tipo de crime contra as empresas que "ajudem à evasão de impostos" e será criado um novo grupo de trabalho para ajudar a Fazenda britânica (HMRC, em inglês) a perseguir os fraudadores.

Após publicar no domingo um resumo de seus impostos de renda nos últimos seis anos, o primeiro-ministro garantiu que o lucro de aproximadamente 19 mil libras obtido com a venda de ações do fundo Blairmore Holdings, operado das Bahamas, não constituiu nenhuma ilegalidade.

Cameron ressaltou que os investimentos em fundos de fora do Reino Unido são constantes e afirmou que alguns sindicatos, a "BBC" e o grupo do jornal "The Guardian", entre outros, fizeram "esse tipo de investimento no exterior".

"Isto não é para criticar o que fazem, mas para argumentar que a atividade é uma prática padrão, que não está projetada para sonegar impostos", especificou.

O ministro da Economia, George Osborne, e o líder da oposição trabalhista, Jeremy Corbyn, também divulgaram nesta segunda-feira detalhes sobre suas últimas declarações de imposto de renda.

Cameron defendeu a atitude, mas advertiu que o "sigilo fiscal" deve ser respeitado para o restante dos políticos britânicos, além do primeiro-ministro, do titular de Economia e do chefe da oposição.

De acordo com Cameron, se todos os deputados forem obrigados a revelar suas finanças pessoais, como algumas pessoas pediram nas últimas horas, pode ser questionado se é necessário que jornalistas e diretores de empresas públicas, entre outros, sigam esse exemplo.

"Isso não deveria passar sem um longo e pausado debate, e não é a solução que eu recomendaria", disse Cameron.

Corbyn acusou o chefe do governo de ter dado perante o parlamento uma "aula na arte da distração". O líder trabalhista lamentou que mais da metade das empresas envolvidas nos documentos vazados do escritório panamenho Mossack Fonseca são britânicas e pediu ao governo mais recursos na luta contra a fraude fiscal.

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