Espiões dos EUA usaram Mossack Fonseca para esconder atividades no exterior

Berlim, 12 abr (EFE).- Espiões de vários países do mundo, principalmente dos Estados Unidos, usaram em diferentes ocasiões empresas de fachada criadas pelo escritório panamenho de advocacia e gestão de patrimônios Mossack Fonseca para esconder suas atividades, revelou nesta terça-feira o jornal alemão "Süddeutsche Zeitung".

O jornal, o primeiro a obter os documentos vazados da Mossack Fonseca, destaca o "notável volume" dessas atividades, nas quais estavam envolvidos agentes da Agência de Inteligência dos EUA (CIA), assim como seus intermediários.

Além disso, o "Süddeutsche Zeitung" aponta que agentes secretos da Arábia Saudita, Ruanda e Colômbia usaram os serviços da empresa panamenha, apesar de não explicar como isso ocorreu ou fornecer identidades, nomes de companhias ou outros fatos.

De acordo com o jornal alemão, estão entre os clientes do escritório de advocacia nas últimas décadas pessoas envolvidas no escândalo do Irã-Contras, ocorrido durante a administração do presidente Ronald Reagan, quando os EUA venderam armas ao Irã para utilizar os recursos no financiamento da guerrilha da Nicarágua.

Entre esses nomes está o do exilado iraniano Farhad Azima, cujos aviões foram usados para carregar armas americanas para o Irã.

Também aparecem nos Panama Papers o saudita Kamal Adham, um dos principais interlocutores da CIA no Oriente Médio nos anos 70, e Loftur Johannesson, ligado ao envio de armas ao Afeganistão por ordem dos serviços de inteligência americanos.

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