Keiko Fujimori e Kuczynski preparam suas estratégias para o 2º turno no Peru

Lima, 12 abr (EFE).- Os candidatos presidenciais Keiko Fujimori e Pedro Pablo Kuczynski dedicaram esta terça-feira a organizar a estratégia política para tentar vencer o segundo turno das eleições no Peru no próximo mês de junho.

A candidata do partido Força Popular obteve 39,77% dos votos, com 96,07% das urnas apuradas, enquanto seu rival da legenda Peruanos pelo Kambio (PPK) conseguiu 21,01%, segundo os dados oficiais do pleito realizado no domingo passado.

Verónika Mendoza, do partido de esquerda Frente Ampla, obteve 18,79% de votos, com o que ficou fora do segundo turno, mas sua legenda será a terceira força do parlamento, atrás também do Força Popular e do PPK, segundo as projeções.

A filha do ex-presidente Alberto Fujimori (1990-2000), condenado a 25 anos de prisão por abusos de direitos humanos e corrupção, já se encontrava hoje mergulhada outra vez no trabalho político, segundo confirmou à Agência Efe seu porta-voz de imprensa.

A candidata deve analisar suas opções de alianças políticas e eventuais mudanças de estratégia, levando em conta que também terá maioria no Congresso, de acordo com os avanços da apuração oficial.

O irmão mais novo de Keiko, Kenji Fujimori, é até o momento o congressista mais votado no parlamento que assumirá para o período 2016-2021 e o partido Força Popular terá mais de 60 cadeiras de um total de 130.

Por sua vez, Kuczynski, de 77 anos, iniciará uma série de reuniões para fazer as mudanças que sua estratégia requer antes do segundo turno.

Por enquanto, o próprio Kuczynski, que terá 20 legisladores, sugeriu aos fujimoristas que proponham uma lei para que o ex-presidente preso cumpra sua sentença em casa.

Seu assessor de campanha, Juan Sheput, declarou à agência "Andina" que "o país não deseja conflito, não quer polarização extrema" e, acrescentou que estão dispostos a dialogar com organizações civis e partidos para "concretizar uma plataforma social de trabalho para esses setores".

O ex-legislador ressaltou que no caso de Kuczynski há uma trajetória de confiabilidade e credibilidade, e descartou que seja necessário assinar um roteiro com compromissos de governo.

Por sua parte, o dirigente do Partido Aprista, Javier Velásquez Quesquén, informou que na próxima semana estarão definindo o apoio da Aliança Popular, formada junto com o Partido Popular Cristão, no segundo turno, mas sugeriu uma proximidade com o fujimorismo.

A Aliança Popular postulou como candidato presidencial o ex-mandatário Alan García, que recebeu 5,85% de votos, e terá cinco representantes no Congresso.

"Não é que haja uma aliança, os fujimoristas entre 2006 e 2011 nos deram seu voto sem aliança, sem nenhuma condição, não houve postos públicos ou ministérios envolvidos", lembrou Velásquez sobre o segundo governo de García.

Por outro lado, Kuczynski terá dificuldades em conseguir uma aproximação com a Frente Ampla, da candidata Verónika Mendoza, que propôs um giro radical em relação às suas propostas.

O virtual congressista eleito da Frente Ampla, Manuel Dammert, declarou que "o Peru está necessitado de mudanças" e "o que vamos viver nos próximos cinco anos, não importa quem ganhe, seja o PPK ou Keiko, será um governo da Confiep (Confederação Nacional de Instituições Empresariais Privadas), os grandes bancos que manejam o Estado e a política real".

Dammert acrescentou que nenhum dos candidatos fará grandes mudanças, como a reivindicada renegociação dos contratos de exportação do gás do projeto Camisea, entre outros temas.

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