Talibãs ratificam jihad como único recurso ao início ofensiva primavera

Cabul, 12 abr (EFE).- Os talibãs ratificaram nesta terça-feira, no início de sua habitual ofensiva de primavera, que a jihad ou guerra santa é seu "único recurso" para restabelecer um Estado Islâmico no Afeganistão e asseguraram que só dialogarão com seus inimigos para pedir que se unam a eles, rejeitando assim o diálogo de paz com o governo.

"A jihad contra o agressivo e usurpador Exército infiel é uma obrigação sagrada (...) e nosso único recurso para restabelecer um sistema islâmico e recuperar nossa independência", asseguraram os talibãs em uma nota por causa do início hoje de sua campanha de primavera, estação na qual aumentam suas operações militares.

Os insurgentes disseram que "de maneira simultânea" acompanharão a opção militar com o início de conversas com "compatriotas nas fileiras inimigas" para que "se deem por vencidos" e deixem de se opor ao estabelecimento no Afeganistão de um Estado Islâmico.

Com este anúncio, os talibãs fecham a porta mais uma vez ao reinício das conversas de paz com o governo afegão, que foram interrompidas abruptamente em julho após o anúncio da morte anos antes do líder talibã, o mulá Omar.

Desde então, a comunidade internacional tratou de restabelecer esse diálogo, sobretudo após a formação do Grupo a Quatro (G4), formado pelo Afeganistão, China, Paquistão e Estados Unidos, embora sem sucesso até o momento.

"Peço de novo aos talibãs que se unam ao processo de paz, um processo que garante a igualdade para todos os afegãos", disse no sábado durante uma visita surpresa a Cabul o secretário de Estado americano, John Kerry.

Os talibãs explicaram hoje que com a campanha que começa, e que batizaram de "Operação Omar" em honra a seu antigo líder, lançarão ataques "a grande escala", assassinatos seletivos e ações estratégicas e ataques suicidas contra as fortificações inimigos.

"Ao usar este tipo de estratégia esperamos que o inimigo estrangeiro se desmoralize e se sinta forçado a abandonar nossa nação (...) quando completaram já 14 anos de invasão americana", sentenciaram os talibãs.

Os insurgentes, liderados pelo mulá Mansur, rejeitaram várias vezes participar do diálogo e inclusive anunciaram um "ataque final contra o inimigo", em referência tanto às tropas do governo afegão como às forças estrangeiras no país asiático.

Apesar da reiterada negativa ao diálogo proposto pelo governo e pelo G4, os talibãs mantiveram uma postura ambígua sobre a forma de resolver o conflito.

Em 25 de fevereiro asseguraram que conversar com os Estados Unidos é "necessário" para acabar com a guerra que vive o país e em várias ocasiões puseram condições para participar desse diálogo como a retirada das tropas internacionais ou o levantamento de sanções internacionais contra eles.

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