Mulher que recusou abraço de Santos diz que atitude foi repúdio à incoerência

Bogotá, 13 abr (EFE).- A irmã de um policial assassinado pelas Farc que recusou na terça-feira um abraço do presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, em homenagem do governo às vítimas do conflito armado, disse nesta quarta-feira a jornalistas que reagiu de tal forma por "repúdio às incoerências que estão sendo feitas".

Durante a homenagem, Alexandra Alzate, irmã do subintendente da polícia Jorge Alzate, recebeu uma medalha das mãos do presidente, mas quando Santos quis abraçá-la foi rejeitado duas vezes, uma imagem amplamente divulgada pela imprensa e pelas redes sociais.

"Foi um ato de repúdio às incoerências que estão sendo feitas. Ontem o lembraram como um herói, mas o que a polícia diz em documentos e na resolução à família é totalmente alheio ao que ontem estava sendo lembrado", declarou Alexandra Alzate em entrevista à "La FM Notícias".

O subintendente Alzate e seu colega, o patrulheiro Óscar Iván Córdoba, foram assassinados no dia 1º de julho do ano passado em uma estrada do departamento do Huila (sul) por guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) com as quais o governo negocia um acordo de paz há mais de três anos.

A irmã de Alzate afirma que a polícia "não o vê como um herói", e que o qualifica "quase como um suicida", alegando que não seguiu os protocolos de segurança pois foi atacado a tiros enquanto se deslocava para entregar uma correspondência oficial.

"Ontem nos entregaram uma medalha dizendo que era uma honra, que ele era um herói, mas na verdade a polícia não o vê como um herói. A resolução diz que ele morreu em atividade, simplesmente. O qualificaram quase como um suicida", acrescentou.

Alzate também explicou que sua reação foi espontânea e que recusar o abraço do líder não fazia parte de um roteiro preestabelecido.

"Eu não tinha planejado, são coisas que às vezes nascem do coração e que uma pessoa não entende certas situações e a incongruência que está manejando", afirmou à "Caracol Radio".

Além disso, a mulher contou o que sentiu no instante em que Santos se aproximou, e garantiu que não tem nada contra o líder colombiano.

"Não podia nem sequer olhá-lo nos olhos, sentia muita raiva. É uma pessoa como qualquer uma de nós, não me passa admiração nem ódio, não é isso. É o descontentamento de ver como em atos protocolares querem encobrir o que não estão fazendo", acrescentou à "Blu Radio".

A família do policial falecido está "indignada" pelo fato de que a investigação sobre a morte se baseia "somente na declaração de um superior", e que isto "não é justo".

Depois do episódio de terça-feira, Santos disse em discurso às vítimas que entende a situação da família de Alzate, pois "é uma raiva que todos" sentem e é por isso que quer pôr fim à guerra no país.

"Muitos colombianos não sabem a dor, a raiva, inclusive desses parentes que veem como seus entes queridos perderam a vida pela pátria. É uma dor compreensível, uma raiva que todos sentimos", ressaltou o chefe de Estado.

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