Polícia da Macedônia lança gás contra refugiados em fronteira com a Grécia

Atenas, 13 abr (EFE).- As forças antidistúrbios da Antiga República Iugoslava da Macedônia (ARIM) reprimiram nesta quarta-feira novamente com gás lacrimogêneo e granadas a tentativa de um grupo de refugiados de atravessar ilegalmente a fronteira desde o acampamento grego de Idomeni.

"Pouco depois do meio-dia, um grupo de entre 50 e 100 refugiados se aproximou da cerca e lançou pedras contra as forças antidistúrbios do país vizinho, que responderam com gás lacrimogêneo", explicou à Agência Efe uma fonte da polícia grega.

Segundo a citada fonte policial, que não tinha informação sobre se há feridos, a calma foi restabelecida minutos depois.

O porta-voz do centro do governo para a gestão dos refugiados, Yorgos Kyritsis, afirmou à Agência Efe que a situação por enquanto está tranquila e que no local se encontram forças antidistúrbios gregas para ajudar na fronteira.

Segundo Kyritsis, desta vez foram apenas cerca de 50 pessoas, todas elas jovens.

Os veículos de imprensa presentes no acampamento relataram que os refugiados se aproximaram da cerca pedindo aos gritos a abertura da fronteira.

Pouco antes dos enfrentamentos, a polícia grega deteve uma pessoa nos arredores do acampamento de Idomeni que portava spray de gás de pimenta, considerado uma arma segundo a legislação grega.

A de hoje é a segunda intervenção das forças fronteiriças macedônias contra migrantes e refugiados.

No entanto, ao contrário do domingo, quando foram mais de 500 as pessoas que se aproximaram até a cerca fronteiriça, desta vez não só foram muitos menos, mas a resposta policial foi menos contundente.

No domingo passado, a polícia macedônia não só recorreu ao gás lacrimogêneo e granadas, mas lançou também bolas de borracha.

A ONG Médicos Sem Fronteiras informou que teve que atender cerca de 300 pessoas, entre elas algumas crianças, em sua maioria por problemas respiratórios, mas também pelo impacto de balas de borracha.

Sete refugiados tiveram que ser internados em hospitais, apesar de ninguém correr risco de morte.

O primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, qualificou na segunda-feira de "vergonhoso" o uso destes métodos de repressão.

"Isto é uma vergonha para a civilização europeia e para os países que querem fazer parte desta civilização", afirmou Tsipras em entrevista coletiva com colega português, Antonio Costa, quem visitou Grécia na segunda-feira.

A maioria dos incidentes em Idomeni ocorrem por causa de rumores que correm pelo acampamento assegurando que a fronteira vai a reabrir.

O governo aumentou seus esforços por identificar dentro do próprio acampamento a fonte destas informações falsas, com o objetivo de impedir que cheguem às redes sociais, onde, segundo reconheceu ontem Kyritsis, são impossíveis já de parar.

Enquanto isso, começa a surtir efeito a campanha do governo para esvaziar Idomeni, e quinhentos abandonaram nas últimas 24 horas este acampamento. Esta manhã ficavam ali 10.680 pessoas.

O mesmo ocorreu no porto do Pireu, onde nesta manhã acampavam 3.805 pessoas, quase a mesma quantidade que ontem, mas 700 a menos que na segunda-feira.

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