Taiwan acusa Pequim de novo caso de deportação de taiwaneses à China

Taipé, 15 abr (EFE).- Um grupo 50 taiwaneses que se preparava para voltar a Taiwan foi retido na Malásia e Pequim enviou um avião para que sejam deportados à China, informou à imprensa nesta sexta-feira (data local) o parlamentar Huang Kuo-chang, do Partido Novo Poder.

"Pequim quer impor no mundo todo um suposto direito à deportação de taiwaneses à China", denunciou Huang, que acusou o gigante asiático de repetir o recente "sequestro" de 45 cidadãos de Taiwan acusados de fraude telefônica no Quênia.

"Pedimos ao governo que mobilize todos seus recursos para evitar esta deportação", acrescentou Huang às portas do parlamento acompanhado por dois parlamentares de seu partido.

A China não tem jurisdição sobre os taiwaneses e a Malásia não deve deportar à China nenhum deles com a desculpa de que reconhece o "princípio de uma China" (Taiwan é parte da China), disse Huang.

O parlamentar acrescentou que um taiwanês residente na América Central se suicidou no Panamá enquanto se processava sua transferência a Cuba para extraditá-lo à China, e exigiu uma maior e mais rápida proteção dos taiwaneses no exterior perante os "sequestros extraterritoriais" da China.

"Não se pode vender a soberania nacional", ressaltou Huang.

Na Indonésia há 31 taiwaneses detidos por um caso de fraude telefônica similar à do Quênia, mas o Ministério das Relações Exteriores de Taiwan assegurou na quarta-feira que eles não seriam deportados ou extraditados à China.

Os 45 taiwaneses deportados do Quênia para a China se encontram detidos à espera de serem julgados por suposta fraude telefônica, apesar de 23 deles terem sido declarados inocentes dessa acusação em um julgamento prévio em Nairóbi.

Este caso desencadeou um forte sentimento de descontentamento em Taiwan com relação à China e condenações de todos os setores políticos, inclusive do Partido Kuomintang, partidário de uma futura união com a China "em democracia, liberdade e prosperidade".

Analistas locais consideram estes casos como parte de uma estratégia chinesa para pressionar à presidente eleita de Taiwan, Tsai Ing-wen, que se nega a aceitar que a ilha é parte da China.

Nas últimas semanas, a China estabeleceu relações diplomáticas com um ex-aliado de Taiwan, a Gâmbia; e também endureceu sua postura para o ingresso de Taiwan no Banco Asiático de Investimento em Infraestrutura, exigindo que a ilha siga o modelo de Hong Kong, o que é inaceitável para o governo ilhéu.

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