Mesmo com negociações de paz, cessar-fogo na Síria está fortemente ameaçado

Genebra, 15 abr (EFE).- Os sinais de que o cessar-fogo na Síria, que já dura sete semanas, está fortemente ameaçado chegaram por meio de diferentes frentes nesta sexta-feira, apesar de a delegação do regime de Bashar al Assad ter se unido hoje à terceira rodada de negociações de paz com a oposição armada e política do país.

"Antes de cada rodada, o governo lança uma forte mensagem de que não quer uma solução política, mas militar, que levará à destruição do país", denunciou o líder da delegação opositora, Assad al Zoubi, em referência à atual ofensiva do regime contra Aleppo.

"Todos sabemos que o regime, desde o primeiro dia, violou a trégua e buscou terminar com ela. Sem a paciência dos revolucionários, a trégua não teria durado até agora", afirmou Al Zoubi, que é general do rebelde Exército Livre Sírio (ELS).

No início desta semana, as forças do regime empreenderam uma série de ataques contra posições rebeldes, que se intensificaram desde ontem, causando a fuga de milhares de civis.

De acordo com a oposição, os novos combates obrigaram mais de 30 mil pessoas a fugirem de Aleppo, sendo que mais de 100 mil civis já tinham escapado em direção à fronteira com a Turquia em fevereiro, durante outro período de escalada de violência que coincidiu com a primeira rodada das negociações de paz.

Os Estados Unidos também mostraram sua preocupação pelo que está ocorrendo em Aleppo através de uma ligação feita pelo secretário de Estado, John Kerry, ao ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, para pedir que Moscou pressione Damasco para deter o que Washington considera como "violações da trégua".

O regime de Al Assad e cerca de 80 grupos armados de tamanhos variados e presentes em diferentes regiões da Síria se comprometeram a cessar as hostilidades em um acordo patrocinado por mais de 20 países com influência e interesse no conflito, entre eles EUA e Rússia, sob mediação da ONU, que supervisiona o cumprimento.

A trégua, apesar dos múltiplos incidentes registrados desde seu início, no dia 27 de fevereiro, foi acatada de maneira geral, se transformando na maior conquista em cinco anos de guerra civil, que já matou cerca de 300 mil pessoas no país.

"É importante que se exerça mais pressão sobre o regime para que ele respeite a trégua frente ao que está ocorrendo em Aleppo", destacou o líder da delegação de oposição.

Esses alertas sobre o risco de um fim da trégua coincidiram com a chegada a Genebra do grupo enviado pelo governo da Síria para negociar com os opositores uma solução política do conflito.

Os membros da delegação do regime realizaram a primeira reunião desta terceira rodada com o mediador da ONU, o enviado especial Staffan de Mistura, e apresentaram emendas a um primeiro documento elaborado para avançar no processo diplomático.

De Mistura e sua equipe revisarão neste fim de semana os comentários do governo de Al Assad. Uma nova reunião entre ambas as partes está marcada para a próxima segunda-feira, disse o chefe da delegação de Damasco, Bashar Jafaari, que não quis fornecer nenhum detalhe sobre a natureza das emendas propostas.

O certo é que a oposição, após o encontro que manteve individualmente com De Mistura, reiterou mais uma vez que a "origem de todos os problemas é o presidente Bashar al Assad e seu grupo governante". "Uma transição política real não poderá ocorrer a menos que esse regime e todas suas figuras vão embora".

O objetivo das negociações é que a oposição e o governo cheguem a um entendimento sobre como realizar uma transição política na Síria, estabelecendo um governo provisório, que conduziria o país até a realização de eleições livres em um prazo de 18 meses, contados a partir de fevereiro deste ano.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos