Câmara dos Deputados segue com debates antes de votação do impeachment

Brasília, 16 abr (EFE).- A Câmara dos Deputados prosseguiu neste sábado com os debates em uma intensa e extenuante sessão contínua antes da decisiva votação de domingo, na qual os integrantes da casa decidirão se aprovam a abertura do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff.

A sessão deliberativa começou na sexta-feira, continuou sem interrupção durante todo o sábado e, segundo as previsões do legislativo, se prolongará até a hora do início da votação, que está programada para as 14h de amanhã.

À medida em que avançavam, os debates ganharam em teatralidade, a Câmara ficou repleta de bandeiras e cartazes e o deputado Wladimir Costa (SD-PA), durante a madrugada, inclusive usou um canhão de papel picado em protesto contra Dilma.

Os opositores levaram cartazes irônicos que diziam "Tchau, querida", em alusão à maneira que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva se despediu da mandatária durante uma conversa telefônica grampeada por ordem judicial como parte da investigação aberta contra o ex-governante.

Do outro lado, os governistas responderam com um grande cartaz pedindo a renúncia do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), acusado por diversos crimes associados à corrupção e principal impulsor do processo de impeachment.

Na opinião do deputado Silvio Costa (PTdoB-PE), o principal objetivo do processo de impeachment "não é derrubar Dilma, mas livrar Eduardo Cunha da prisão".

De ambos os lados, houve pedidos aos deputados indecisos para tentar conseguir votos de última hora na votação do domingo, na qual a oposição precisa ter dois terços do arco parlamentar, 342 dos 513 deputados.

"Aos que se dizem indecisos, cuidado com as urnas. As urnas elegem, mas também punem. O povo espera um gesto forte, valente de defesa da democracia", disse o opositor Arthur Virgílio Bisneto (PSDB-AM).

Governo e oposição travaram neste sábado uma autêntica guerra de números para demonstrar que ambos contam com o apoio suficiente para ganhar a votação de amanhã.

Da tribuna de oradores, também houve partidos minoritários que defenderam a realização de eleições antecipadas para resolver a crise, embora essa possibilidade não esteja contemplada na Constituição.

A sessão programada para a sexta-feira, na qual o turno de palavra cabia aos líderes dos partidos, só terminou às 18h58 de hoje, com quase oito horas de atraso, e deu início ao começo da sessão de sábado, na qual diversos deputados falarão por, no máximo, três minutos cada.

Para evitar novos atrasos e garantir que a votação comece na tarde de domingo, cerca de 60 deputados opositores, do total de 249 inicialmente inscritos, aceitaram abrir mão da palavra.

A votação será nominal e alternada entre deputados dos estados do Norte e do Sul. Se um deputado se ausentar no momento de seu voto, poderá ser chamado de novo ao longo da sessão.

Caso a Câmara dos Deputados aprove o processo, o assunto avançará ao Senado, que para aceitá-lo necessitará uma votação por maioria simples, que resultaria o afastamento de Dilma Rousseff do cargo durante os 180 dias que necessários para concluir o processo.

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