Coalizão governista do Uruguai critica "processo de golpe" contra Dilma

Montevidéu, 18 abr (EFE).- A Frente Ampla (FA), coalizão governista do Uruguai, manifestou nesta segunda-feira sua "total rejeição" à decisão da Câmara dos Deputados de aceitar o pedido de abertura de um processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, algo que considerou um "golpe de estado".

"O instrumento de julgamento político (impeachment) sem fundamento jurídico que o sustente é, de fato, um golpe parlamentar", advertiu a declaração do secretariado executivo da força governista uruguaia.

Além disso, o comunicado indicou que "não existe nenhuma acusação de ato de corrupção" sobre Dilma "enquanto existem investigações concretas contra 50% dos que votaram a favor do julgamento político".

Concretamente, a FA afirmou que o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, está "acusado de ter contas ilegais na Suíça vinculadas a propinas". Além disso, lembrou que o vice-presidente, Michel Temer, também já teve seu nome citado na Operação Lava Jato.

O agrupamento de partidos de esquerda do Uruguai afirmou também que o objetivo da direita brasileira ao cassar Dilma é "retomar o poder político e econômico para tirar o Brasil da liderança do processo de integração continental soberano e autônomo (Mercosul, Unasul, Celac)".

A declaração acrescentou que este movimento político persegue também o objetivo de "alinhar" o Brasil com "as políticas econômicas dos grandes centros de poder".

A coalizão política manifestou também sua "solidariedade" com a presidente e o PT.

"Não duvidamos da necessidade de que os setores populares mantenham seu alerta em defesa da democracia e contra as tentativas desestabilizadoras que percorrem o continente", acrescentou.

O documento lembrou que esta "arremetida continental da direita com golpes de estado de novo tipo" já teve seus efeitos com as destituições de Manuel Zelaya, em Honduras, e de Fernando Lugo, no Paraguai.

Neste domingo, a oposição reuniu no plenário da Câmara os 342 votos necessários para encaminhar o processo contra Dilma ao Senado, que a partir de amanhã iniciará os trâmites para decidir se será aberto o julgamento político da presidente, o que pode ser definido em 20 dias.

Se o plenário do Senado respaldar a posição da Câmara, Dilma será submetida a um julgamento com fins de cassação e deverá deixar o cargo por um prazo de 180 dias.

Nesse período, a presidência será ocupada por Temer, que há duas semanas rompeu com o governo e decidiu apoiar o processo visando o impeachment de Dilma.

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