Dilma diz que se sente "vítima de uma grande injustiça"

Brasília, 18 abr (EFE).- A presidente Dilma Rousseff comentou nesta segunda-feira em entrevista coletiva em Brasília a decisão da Câmara dos Deputados que a deixou mais perto do impeachment e se disse "vítima de uma grande injustiça".

Dilma, que admitiu estar "triste", mas não "abatida", disse que ficou frente a uma "situação que só pode provocar uma imensa sensação de injustiça, e que há no Brasil uma violência contra a verdade, a democracia e o Estado de Direito".

A presidente comentou também que, uma vez que o trâmite no Senado visando seu julgamento político comece, acredita que terá a "oportunidade" de se defender e mostrar que, em seu caso, "se usa a aparência de um processo democrático para praticar um abominável crime, como é o de condenar um inocente".

Na coletiva, Dilma insistiu que as chamadas peladas fiscais não representam uma ilegalidade e muito menos um "crime de responsabilidade", como a Constituição define as causas que podem levar à destituição de um presidente.

"Pratiquei esses atos, que foram praticados por todo presidente no exercício de seu cargo, e quando um presidente pratica atos administrativos faz isso baseado em toda uma cadeia de decisão, com análises técnicas e jurídicas", ponderou.

Aparentando estar emocionada, disse que com outros presidentes essas manobras "foram consideradas legais" e que sente que a ela "reservam um tratamento que não foi dado a ninguém".

Também considerou "interessante" que não haja contra ela "nenhuma acusação de desvios de dinheiro, de enriquecimento ilícito ou de esconder contas no exterior", que, por outro lado, pesam contra os que a julgam, em alusão ao presidente da Câmara, Eduardo Cunha, acusado por esses crimes.

Por fim, Dilma lembrou que em sua juventude enfrentou por "convicção" uma ditadura e afirmou que agora, em sua maturidade, enfrentará da mesma forma "um golpe de Estado, que não é como os tradicionais, mas é um golpe".

"Tenho ânimo, força e coragem suficiente. Não vou me abater. Vou continuar lutando como fiz ao longo de toda a minha vida. Não vão matar em mim a esperança", destacou Dilma.

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