Parlamento em Tobruk se reúne para legitimar governo de unidade líbio

Trípoli, 18 abr (EFE).- O parlamento líbio de Tobruk, reconhecido pela comunidade internacional, se reúne nesta segunda-feira para votar a confiança ao governo de união nacional, designado pela ONU, e aprovar a emenda constitucional para incluir o acordo político assinado em Skhirat (Marrocos).

Cerca de 100 deputados participam da sessão prevista para esta tarde, que terá a presença do enviado especial da ONU, Martin Kobler.

Kobler tratará de convencer o denominado Conselho dos Deputados, que fracassou em todas suas tentativas de se reunir desde que o citado gabinete fora designado no final de fevereiro.

"Encorajarei os membros da câmara dos Deputados na reunião de amanhã com um espírito de reconciliação, para que reine a paz na Líbia", declarou ontem à noite Kobler.

"Trabalho desde Trípoli e a ONU trabalha com Trípoli e com vós -conselho presidencial- pelo interesse dos líbios",lembrou.

O diplomata alemão afirmou que a Líbia tem vários desafios e considerou que o governo presidido por Fayez al Serraj está capacitado para superá-los.

"A Líbia enfrenta vários desafios, os mais importantes são a expansão do grupo terrorista autoproclamado 'Estado islâmico' (EI) e a situação de segurança. Nenhum pode ser resolvido exceto com um claro apoio de consenso para trabalhar com o governo de união nacional", acrescentou.

"O problema do terrorismo é endêmico, a situação humanitária é catastrófica, os hospitais necessitam de remédios, as pessoas necessitam de alimentos. Só o governo de união nacional pode fazer avançar este processo", insistiu.

Al Serraj e sua equipe chegaram em 30 de março a Trípoli escondidos em navio desde a Tunísia e desde então tratam de tomar o poder desde a encouraçada base naval de Abu Setta, na qual estão refugiados.

A Líbia é um país rico em petróleo situado a 300 quilômetros do litoral europeu, se encontra no caos e na guerra civil desde que em 2011 a comunidade internacional apoiou militarmente a revolta contra a ditadura de Muammar Kadafi, que caiu nesse mesmo ano.

Desde um mês, o país vive uma situação política confusa, com um governo de união nacional estabelecido em Trípoli que não conta com legitimidade interna, um parlamento reconhecido internacionalmente em Tobruk que se nega a respaldar esse gabinete, e uma liderança cessante e rebelde na capital que ainda conserva poder militar.

Da situação tiraram proveito tanto grupos radicais como a ramo líbio da organização terrorista Estado Islâmico, que no último ano ampliou o território sob seu controle e inclusive estabeleu um novo reduto no litoral do Mediterrâneo, como os traficantes de pessoas, que administram um negócio milionário.

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