Dilma diz que impeachment desestabilizará país por se tratar de "golpe"

Brasília, 19 abr (EFE).- A presidente Dilma Rousseff afirmou nesta terça-feira que o processo de impeachment que visa tirá-la do cargo gerará ainda maior instabilidade política no país e impedirá a recuperação econômica por se tratar de uma ruptura constitucional.

"Precisamos entender que esse processo não vai trazer estabilidade política ao país porque rompe a base da democracia. Trata-se de um golpe", declarou Dilma em entrevista coletiva a correspondentes estrangeiros.

Segundo a presidente, o julgamento político com fins de cassassão de seu mandato, aprovado pela Câmara dos Deputados no domingo e cuja abertura está agora nas mãos do Senado, agravará ainda mais a recessão econômica enfrentada pelo país.

"Sem democracia, o Brasil não se transforma e não recuperamos a capacidade de estimular o crescimento econômico. Para crescer e combater a pobreza, é preciso estabilidade política", alegou.

Para Dilma, a crise econômica foi agravada por um período de 15 meses de uma instabilidade política gerada pela oposição com suas tentativas de tirá-la do poder.

A presidente acrescentou que a economia só vai se recuperar caso o Congresso rejeite a abertura do julgamento político e os partidos aceitem a "repactuação democrática" proposta pelo governo para restabelecer a normalidade nas instituições e dar condições ao país de voltar a crescer.

Dilma reiterou que se sente vítima de uma grande injustiça por entender que o julgamento político contra ela não tem base legal.

"Não há a menor base legal para esse processo. Não tenho nenhum problema no que se refere a irregularidades", disse.

Dilma também afirmou que as supostas manobras nos balanços fiscais do governo - as chamadas "pedaladas fiscais" - usadas para justificar o processo de impeachment não passam de práticas contábeis que foram usadas por governos anteriores.

"Dizer que (o impeachment) está previsto na Constituição é uma meia verdade porque não dizem que é necessário um crime de responsabilidade para poder usá-lo. Não estamos em um regime parlamentar. Não basta um voto de desconfiança para que o governante saia", afirmou.

Dilma declarou que outro agravante é que todo o processo de impeachment foi promovido pelo presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, como vingança pela decisão do governo de não ajudá-lo a conter os processos por corrupção que ele enfrenta tanto no Legislativo como na Justiça.

"O presidente da Câmara está sendo investigado por corrupção e, nesse momento, queria três votos do partido do governo para afundar o processo contra ele na Comissão de Ética da Câmara. Nos negamos a aceitar isso, e aí, por vingança, começou o processo", argumentou.

"Sou vítima de um processo em que meus julgadores têm um histórico que não os abona para serem juízes de nada, mas para serem réus", acrescentou, em referência a Cunha.

Segundo Dilma, todas essas circunstâncias lhe permitem dizer que é vítima de um processo baseado simultaneamente em uma injustiça, em uma fraude jurídica e política e em uma tentativa de golpe. Ela alegou que no Brasil há um "filão golpista adormecido" e que todos os presidentes desde que o país recuperou sua democracia, em 1985, sofreram tentativas de "impeachment".

A presidente considera que a recessão no Brasil também não pode ser usada como motivo para o processo.

"Se a crise econômica fosse um argumento para tirar presidentes, não haveria nenhum presidente em pé nos países desenvolvidos que enfrentaram crise mais graves e perdas de empregos maiores que as do Brasil", disse.

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