Paraguai não ingerirá na crise política brasileira, diz deputado do Parlasur

Montevidéu, 19 abr (EFE).- A delegação do Paraguai no parlamento do Mercosul (Parlasur), afirmou nesta terça-feira que, por "respeito ao princípio universal da autodeterminação dos povos", não se imiscuirá no processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff.

"(O Paraguai) observará com atenção a extensão de dito procedimento, abstendo-se de divulgar declarações de apoio aos envolvidos", disse em comunicado Alfonso González Núñez, presidente da delegação paraguaia no Parlasur, instituição que tem sua sede em Montevidéu.

Além disso, a representação do Paraguai nessa câmara regional evitará "sugerir a aplicação das pautas comunitárias que preservam o sistema democrático na região", acrescentou González.

Nesse sentido, o parlamentar alegou que o direito internacional e as leis dos países da ONU e da Organização dos Estados Americanos (OEA) "estipulam taxativamente os princípios universais da autodeterminação dos povos e da não-intervenção estrangeira nos assuntos internos".

"Especificamente quando os conflitos, por mais severos que forem, se resolvem no marco da aplicação das garantias constitucionais, do reconhecimento da legitimidade da defesa em julgamento e da observância do devido processo", comentou González.

Por isso, pediu que os líderes do Mercosul - bloco formado por Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai e Venezuela - e seus representantes no Parlasur "contemplem com suma atenção, mas sem imiscuir-se, o desenvolvimento da causa e a direção que vão tomando os eventos".

Estes, em sua opinião, e "conforme informações fidedignas, avançam em consonância com as previsões regulamentares vigentes", afirmou.

O titular da delegação do Paraguai reiterou que as divergências domésticas "terão que ser liquidadas em casa" e que o Mercosul prossegue normalmente com sua rotina programada.

Por último, González lembrou o julgamento político que o parlamento paraguaio empreendeu em 2012 contra o então presidente Fernando Lago, que acabou com sua cassação e que mais tarde provocou a suspensão do país do Mercosul.

"O Paraguai foi excluído (do Mercosul) sem conferir-lhe a mínima margem de salvaguardar e justificar sua posição, tal qual o prescreve o Protocolo de Ushuaia sobre Compromisso Democrático", concluiu o parlamentar regional.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos