República Tcheca fecha 25 anos de debates e poderá se chamar Tchéquia

Gustavo Monge.

Praga, 19 abr (EFE).- A República Tcheca passará nas próximas semanas a também se chamar oficialmente Tchéquia, após a decisão de um comitê estatal reunido em Praga que fechou, dessa forma, 25 anos de debates em torno do nome deste país centro-europeu.

"Aconselha-se utilizar o nome simplificado nos idiomas estrangeiros quando não for necessário usar a designação formal do país, como em eventos esportivos ou com fins promocionais", explicou o comitê estatal após aprovar o novo nome.

Ao contrário da Nova Zelândia, que acaba de rejeitar a ideia de uma nova bandeira por meio de um referendo, na República Tcheca a decisão definitiva foi tomada sem consulta ao povo.

Segundo Vit Korselt, diretor do Departamento das Américas do Ministério das Relações Exteriores tcheco, as pessoas mais velhas são as mais reticentes a esta mudança, pois o novo nome "lhes lembra 'Tschechei', que era usado pelos alemães durante a ocupação nazista".

Esse nome era uma contração do alemão "Tschechoslowakei" - em português, Tchecoslováquia, como era chamado o país que surgiu, como outros muitos na Europa, da desmembramento do Império Austro-Húngaro após a Primeira Guerra Mundial.

Assim, os nazistas "deram um sentido de algo inferior" ao país vizinho, o qual ocuparam a partir de 1938, explicou o diplomata tcheco.

O próprio Korselt afirmou não ter problemas com o novo nome curto, embora alerte que não está agradando a todos.

"Não me convence. Acho que vai ser confundido com a Chechênia", opinou o jornalista Martin Carek, editor do portal informativo "Echo24".

O nome também não agrada à ministra de Desenvolvimento Regional, Karla Slechtova, que argumenta que foi pago muito dinheiro no passado para o logotipo com "República Tcheca" utilizado no material publicitário da agência estatal de turismo CzechTourism.

Em seus quase cem anos de existência, o estado centro-europeu de agora 10,5 milhões de habitantes teve vários nomes.

De "República Tchecoslovaca" ou "Estado Tcheco", em 1918, passou a "República Tcheco-Eslovaca" em 1920, e depois, durante a ocupação nazista, a "Protetorado de Boêmia e Morávia", chamado no dia a dia "Tschechei" por muitos alemães.

Após a Segunda Guerra Mundial, foi, de novo, "República Tchecoslovaca", e em 1960 passou a se chamar "República Socialista da Tchecoslováquia". Depois da chegada das liberdades democráticas em 1989, se transformou em "República Federativa Tchecoslovaca", e em seguida, pelo bem da pureza linguística e levando em conta os dois povos que compunham o estado, "República Federativa Tcheca e Eslovaca".

Assim foi até a divisão do país, em 1993, quando o maior dos sucessores passou a se chamar, simplesmente "República Tcheca". Já naquela época surgiram vozes que queriam uma forma simplificada do nome, mas não tiveram sucesso.

Encontrar um nome oficial mais prático foi uma tarefa pendente até agora, quando o ministro das Relações Exteriores, Lubomir Zaoralek, se transformou no fiel da balança.

"Não é bonito que o país não tenha claramente estabelecidos seus símbolos ou inclusive que não tenha claramente dito como se chama", declarou Zaoralek ao defender o novo nome.

Em prol da simplicidade, os tchecos utilizavam até agora duas formas informais abreviadas: "Cesko" e "Cechy".

Sobre a primeira, Jiri Penas, editor-chefe de Cultura do jornal Lidove Noviny, considera que "é muito feia, não é estética, e está ruim".

Até o ex-presidente Vaclav Havel chegou a dizer que, ao pronunciar "Cesko", era como se saíssem lesmas de sua boca.

No final, optou-se por uma só palavra, "Tchéquia", que não é latina, mas de raízes eslavas, embora tenha se "latinizado" com a terminação "-ia".

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