Stoltenberg confirma que Otan e Rússia mantêm "profundos desacordos"

Bruxelas, 20 abr (EFE).- O secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg, confirmou nesta quarta-feira que a organização e a Rússia mantêm "profundos desacordos" devido à crise no leste da Ucrânia, após a primeira reunião de embaixadores em quase dois anos.

"Otan e Rússia mantêm profundos desacordos. A reunião de hoje não mudou isso", comentou Stoltenberg em entrevista coletiva ao término do primeiro Conselho Otan-Rússia desde junho de 2014.

Stoltenberg confirmou que a organização ainda não retomará a cooperação prática com Moscou, interrompida pela crise ucraniana, mas considerou "muito útil a troca sobre transparência e previsibilidade" para reduzir riscos das atividades militares russas.

O dirigente afirmou que o diálogo político é "necessário e útil em tempos de tensões", mas deixou claro que apesar da "franca e séria" discussão que tiveram não se pode dizer que a organização "voltará à normalidade com a Rússia".

"Todos estamos de acordo em manter abertos os canais de diálogo por nosso próprio interesse", apontou.

Este Conselho Otan-Rússia abordou a situação na Ucrânia e no Afeganistão e a necessidade de aumentar a transparência das atividades militares para evitar incidentes como o da semana passada na região do Mar Báltico, onde um avião russo comprometeu uma aeronave e um navio americanos.

Stoltenberg considerou que uma transparência maior pode contribuir para "mais segurança na Europa" e reduzir o risco de ocorrer um incidente militar.

Nesse contexto, afirmou que vários países aliados fizeram hoje propostas sobre como modernizar o Documento de Viena sobre transparência militar.

Ao que se refere à Ucrânia, Stoltenberg afirmou que "as ações da Rússia" contra o país "levaram ao estado atual das relações", e garantiu que os aliados se mantêm firmes em não recuperar a cooperação prática com Moscou "até que volte o respeito da lei internacional".

Os países aliados "deixaram claro que seguem firmes em seu apoio à soberania e integridade territorial da Ucrânia" e que não reconhecerão "a anexação ilegal da Crimeia" por parte russa, disse Stoltenberg.

Além disso, consideraram "profundamente perturbador" o aumento de violações do cessar-fogo no leste ucraniano e os ataques a observadores da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE), e exigiram a "total e rápida" aplicação dos acordos de paz de Minsk, pelos quais a Rússia tem "uma responsabilidade significativa", segundo sua opinião.

Stoltenberg lembrou que o respeito ao direito de qualquer nação a escolher seus próprios acordos de segurança é um "princípio fundamental do Conselho Otan-Rússia que deve ser observado".

Por último, ressaltou que todos os países devem apoiar o Afeganistão para "que alcance sua meta de estabilidade e segurança", perante os desafios e a ameaça terrorista que se enfrenta.

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