Mulher denuncia agência oficial chinesa por difamar seu filho preso

Pequim, 21 abr (EFE).- A mãe do ativista Zeng Feiyang, Chen Wenyin, em um gesto incomum na China, decidiu denunciar à agência oficial de notícias "Xinhua", que atua como porta-voz do governo chinês, por difamar seu filho depois de ele ter sido detido.

Zeng, diretor do Centro de Trabalhadores do distrito de Panyu, é um dos líderes operários do sul da China detidos em dezembro do ano passado em uma onda de prisões contra o grupo, que reagiu ao fechamento e relocalização de fábricas.

"O pai do Zeng está fazendo quimioterapia por um câncer em fase terminal. O próprio Zeng foi privado de sua liberdade e de seu direito a ver um advogado, portanto será esta senhora quem vai se encarregar deste grande e histórico caso", disse Chen Wenyin, de 70 anos, em a denúncia à qual a Agência Efe teve acesso nesta quinta-feira e que foi apresentada há uma semana.

Ela pede a "Xinhua" 1 milhão de iuanes (cerca de R$ 540 mil) e um pedido formal de desculpas por um texto no qual a agência sustentou que Zeng tinha se apossado do dinheiro de trabalhadores, mantido oito amantes e enviado "mensagens vulgares" e vídeos eróticos a mulheres pela internet, explicou hoje à Efe o advogado da família, Chang Weiping.

A mãe de Zeng também dirige a denúncia ao centro de detenção onde seu filho está, na província de Cantão, e contra a delegacia que se encarregou da prisão, já que considera que todos fazem parte de uma campanha de difamação midiática contra o líder operário.

Desde que foi preso, o advogado pôde ter contato com seu cliente e sua mãe só pôde ver um vídeo sobre o filho que as autoridades apresentaram para tranquilizá-la, relatou Chang à Efe.

Segundo o advogado, que se mostrou pessimista sobre o caso, a família de Zeng começou a receber ligações da Polícia após apresentar a denúncia, e alguns parentes cogitam retirar a queixa por medo de represália.

Zeng foi acusado de "alteração da ordem pública", junto a outros dois companheiros, os ativistas He Xiaobo e Meng Han.

As autoridades liberaram muitos dos ativistas detidos, apesar deles continuarem a ser vigiados de perto, de acordo com a organização China Labour Bulletin (CLB), ONG em defesa dos trabalhadores chineses. Segundo a entidade, a situação continua sendo tensa nesta parte do país, já que as fábricas continuam fechando ou movimentando o negócio sem pagar as compensações correspondentes aos funcionários.

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