Chega a Juba chefe do Estado-Maior da oposição sul-sudanesa

Juba, 25 abr (EFE).- O chefe do Estado-Maior da oposição sul-sudanesa, o general Simon Gatwech, chegou nesta segunda-feira a Juba para preparar o retorno do vice-presidente e líder opositor, Riek Machar, de acordo com o tratado de paz assinado em agosto do ano passado.

Em entrevista à imprensa após aterrissar no aeroporto, Gatwech insistiu no compromisso de seu movimento com a paz.

"Estou muito contente de voltar para casa, nós somos a favor da paz e que não voltemos à guerra", afirmou.

Na segunda-feira passada, as autoridades do Sudão do Sul não permitiram a aterrissagem em Juba do avião no qual Gatwech viajava, por desavenças pelos 195 soldados e 20 lança-granadas que acompanhavam o general, procedente da zona de Gambela, na Etiópia.

No entanto, a Comissão de Vigilância e Avaliação do acordo de paz, da mediadora Autoridade Intergovernamental para o Desenvolvimento (Igad), pressionou o governo para que permitisse a chegada dessas forças e armas suplementares à capital.

O retorno de Gatwech precede à prevista volta de Machar para assumir oficialmente seu cargo como primeiro vice-presidente do líder do país, Salva Kiir, e do anúncio da formação de um governo de união nacional.

A oposição continua sem anunciar uma data definitiva sobre o retorno de Machar, cuja chegada foi atrasada em várias ocasiões devido a diferenças entre o governo e a oposição sobre as armas e os soldados que lhe acompanharão.

A volta de Machar ocorrerá dois anos depois que deixou a capital após a explosão de um conflito entre suas forças e as tropas governamentais em meados de dezembro de 2013.

Em agosto, a disputa foi liquidada através de um acordo de paz assinado na capital da Etiópia, Adis-Abeba.

Durante este período, Machar viveu refugiado na região de Gambela, no oeste da Etiópia, e em Fagak, no estado do Alto Nilo, no leste do Sudão do Sul e fronteiriço com o território etíope, onde estão concentradas suas forças.

Neste mês terminaram as operações da mudança das forças rebeldes à capital, cujo número é calculado em 1.370 combatentes, que junto à Guarda Republicana e à Polícia sul-sudanesas formarão a força conjunta que manterá a segurança em Juba, como estipula o acordo de paz.

Em 11 de fevereiro, o presidente do país, Salva Kiir, designou Machar como vice-presidente, um cargo que já tinha ocupado antes do início do conflito e do qual foi afastado.

A guerra no Sudão do Sul explodiu em 15 de dezembro de 2013 depois que Kiir, da etnia dinka, denunciou uma tentativa de golpe de Estado liderado por Machar, da etnia nuer.

Calcula-se que morreram centenas de milhares de sul-sudaneses no conflito, que deixou também mais de dois milhões de deslocados e refugiados, segundo números da ONU.

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