Nepal completa 1 ano do terremoto com poucas ações e muitas promessas

José Luis Paniagua.

Katmandu, 25 abr (EFE).- O Nepal completa nesta segunda-feira um ano do terremoto que acabou com a vida de quase 9 mil pessoas, com poucas razões para ser otimista e muitas promessas do governo, que nos últimos dias promoveu uma enorme campanha de reconstrução com o compromisso de dar solução a tudo aquilo que não foi capaz de fazer em 12 meses.

Embora os nepaleses tenham lembrado ontem a data, seguindo o calendário local, as autoridades cumpriram também hoje com atos oficiais de início de obras reiterando seu compromisso com aqueles que perderam suas casas na tragédia. O primeiro-ministro do Nepal, Khadga Prasad Oli, reconheceu hoje que não existem mais desculpas e que o governo tem tudo o que precisa para resolver a reconstrução das 800 mil casas que foram destruídas ou danificadas no dia 25 de abril de 2015.

"Não falta nada. Temos um orçamento adequado e cumprimos todos os requisitos legais, agora vamos colocar todo o nosso esforço para completar a reconstrução das casas das pessoas, os prédios das comunidades, das escolas, hospitais e patrimônios o mais rápido possível", disse Oli em um ato público.

Em outro evento para promover o turismo no país, o primeiro-ministro pediu aos investidores estrangeiros para aproveitarem o potencial que existe.

"Fomos atingidos por um devastador terremoto no ano passado, mas isso não arruinou completamente Nepal, algumas áreas se salvaram", afirmou Oil, segundo o site de notícias "Ekantipur".

Com seis meses no poder marcados pela instabilidade política e um desgaste na credibilidade pela falta de resultados, Oli, do Partido Comunista Marxista-leninista (CPN-UML), liderou atos de lançamentos de obras nos últimos dois dias. Ontem fez isso em Sindhupalchok, o distrito mais atingido pelo terremoto, uma região que registrou um terço do total de vítimas do terremoto e suas posteriores réplicas.

Hoje, ele colocou formalmente a primeira pedra para a reconstrução de vários templos no mosteiro budista de Swayambhunath, em um ato simbólico com o qual quis lançar a campanha de recuperação do patrimônio histórico do país.

Em janeiro, o Executivo do Nepal também iniciou formalmente o processo de reconstrução do país com outro ato de lançamento de um plano para recuperar centenas de lugares históricos. No total, 753 lugares considerados patrimônios histórico e cultural do país foram danificados durante o terremoto, segundo o diretor-geral do Departamento de Arqueologia do Nepal, Bhesh Narayan Dahal.

Conforme explicou, o atraso na reconstrução se deveu a diversos fatores, entre eles, a demora na nomeação da Autoridade Nacional para a Reconstrução, organismo encarregado de todo o processo de recuperação e que foi aprovada há apenas quatro meses. Essa paralisia do organismo que devia canalizar os programas e recursos para a recuperação do país, entre eles os US$ 4,4 bilhões prometidos pela comunidade internacional que não foram entregues por falta de contrapartida, afetou todos os setores econômicos do país.

Em um relatório publicado hoje, a Comissão Nacional de Direitos Humanos garantiu que o tráfico de pessoas aumentou entre 15% e 20% nos três meses seguintes ao tremor, o que elevou o número de vítimas que caíram nessas redes em 2014-2015 a 8.500. O reporte da entidade independente, correspondente ao período 2013-2015, ressalta que o terremoto "aumentou enormemente a vulnerabilidade perante o tráfico, especialmente de mulheres e crianças".

"O número de pessoas vulneráveis interceptadas aumentou após o terremoto, uma alta de pelo menos 15% ou 20%" se comparada a informação disponível de três meses antes do terremoto.

A comissão se baseou em números da Polícia e de ONGs, apesar de advertir da dificuldade de "estimar a magnitude do tráfico de pessoas em todas as suas formas devido à falta de uma base de dados consolidada no Nepal".

As autoridades do Nepal calcularam em US$ 7 bilhões o valor dos danos produzidos pelo terremoto e quantificaram em US$ 6,6 bilhões o total necessário para reconstruir o país.

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