Filiados à Al Qaeda reivindicam assassinato de dois ativistas LGBT em Daca

Nova Délhi, 26 abr (EFE).- Um grupo filiado ao braço da Al Qaeda para o Subcontinente indiano (AQIS) reivindicou nesta terça-feira a autoria do assassinato de dois membros do coletivo Roopbaan, criador da revista homônima pelos direitos das lébicas, gays, bissexuais e transexuais (LGBT).

"Pela graça do todo-poderoso Alá, os mujahedins do Ansar al Islam (AQIS, ramo de Bangladesh) foram capazes de assassinar Xulhaz Mannan e seu parceiro Samir Mahbub Tonoy. Eram pioneiros na prática e promoção do homossexualismo em Bangladesh", indicou o grupo terrorista em comunicado em seu site.

Os ativistas foram assassinados na segunda-feira passada em Daca no primeiro ataque mortal contra este coletivo no país.

Uma fonte do coletivo que pediu o anonimato confirmou à Agência Efe que cinco homens invadiram o domicílio de uma das vítimas, que tinham 27 e 40 anos, respectivamente, e eram membros destacados do comitê organizador de Roopbaan.

Em sua nota, o AQIS disse que as vítimas começaram em 1998 a promover o homossexualismo no país e trabalhavam nisso "dia e noite" com a ajuda de seus "professores" americanos e indianos.

O coletivo Roopbaan, fundado em 2014, lançou nesse mesmo ano a primeira revista em linha para a comunidade LGBT de Bangladesh, que promove seus direitos com atos como o desfile que há dez dias terminou com quatro detidos no meio das celebrações do ano novo bengali.

Em Bangladesh, o homossexualismo é estipulado como crime e a seção 377 do Código penal prevê penas de até prisão perpétua, e embora na prática os processos não prosperam nos tribunais, a comunidade sofre contínuos casos de discriminação.

O fato aconteceu dois dias depois do assassinato de um professor universitário, em um caso que seguiu o padrão dos recentes ataques perpetrados no país por extremistas islâmicos.

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