Brasil, México e América Central concentram o maior perigo para jornalistas

Washington, 27 abr (EFE).- Brasil, México e América Central são os lugares mais perigosos para ser jornalista no continente americano, enquanto em Cuba, Venezuela e Equador o governo é a principal fonte de pressão para os veículos de imprensa, segundo o relatório anual divulgado nesta quarta-feira pela organização independente Freedom House.

O estudo apresentado em Washington aponta que 20% da população americana vive em países onde não há liberdade de imprensa, enquanto 40% tem acesso a uma imprensa "parcialmente livre" e outros 40% desfrutam de imprensa "livre".

O relatório avalia o grau de liberdade de imprensa em 199 países e territórios, os quais pontua entre 0 (máxima liberdade) e 100 (mínima), o que serve de base para determinar se há imprensa "livre" (62 países), "parcialmente livre" (71), ou "não livre" (66).

Um país do continente, Cuba, está entre os dez com menos liberdade de imprensa do mundo junto a Coreia do Norte, Turcomenistão, Uzbequistão, Crimeia, Eritreia, Belarus, Guiné Equatorial, Irã e Síria.

Em Cuba, Venezuela, Honduras, Equador e México a imprensa é "não livre", enquanto em 14 nações (como Brasil) é "parcialmente livre" e em 16 (como os EUA e Chile) é "livre".

"Apesar da democracia generalizada na América Latina, os veículos de imprensa sofrem ameaças dos grupos criminosos e das autoridades. Desde o assédio na cobertura dos protestos na Nicarágua à violência e o assassinato no México e no Brasil, o temor pela segurança é uma constante na vida de muitos jornalistas da região", sustenta o relatório.

O Brasil, com pelo menos seis jornalistas assassinados em 2015, é uma das democracias do mundo onde é mais perigoso ser comunicador, especialmente nas áreas rurais.

No México, a liberdade de imprensa "continuou sob extrema pressão" devido aos ataques violentos contra jornalistas por parte dos grupos criminosos e o "padrão de impunidade".

"O governo mexicano demonstrou ser completamente incapaz, ou reticente, para encarar este problema. Pelo menos quatro jornalistas foram assassinados em 2015, e em 2016 três já foram assassinados muito provavelmente por seu trabalho", informou o estudo.

Na maior parte da América Central, os jornalistas sofrem as ameaças do crime organizado, dos "funcionários corruptos", e das "abusivas forças de segurança".

Na Nicarágua, os jornalistas enfrentam um tratamento "duro" da polícia quando cobrem manifestações e um "generalizado e cada vez mais sistemático assédio", além de a televisão seguir dominada por um duopólio "com tendência favorável" ao governo.

O Equador é um dos países do continente que mais preocupam, com imprensa "não livre" e um descenso de 8 pontos desde 2011 devido a um "marcado aumento da censura oficial" e uma cada vez maior concentração da propriedade dos veículos de imprensa.

"O regulador de imprensa do Equador impôs multas e outras sanções administrativas contra vários veículos, às vezes interferindo diretamente nos detalhes sobre suas informações sobre os funcionários públicos", denunciou o relatório.

A Freedom House cita a Argentina como um dos países a serem observados atentamente em 2016, pois a chegada de Mauricio Macri à presidência no final de 2015 "terminou com a hostilidade do governo em relação à imprensa conservadora, mas não está claro se permitirá a regulação imparcial ou simplesmente mudará o viés do governo da esquerda para a direita".

Sobre os Estados Unidos, o relatório destaca a "vulgar e divisória" campanha eleitoral e as críticas do pré-candidato republicano à presidência Donald Trump a jornalistas e veículos de imprensa, assim como seus "comentários ofensivos" nas redes sociais para "desviar" a cobertura midiática tradicional.

Freedom House, fundada em 1941 em Nova York e agora com sede em Washington, é uma organização internacional não governamental que promove as liberdades e a democracia no mundo e é reconhecida por seus relatórios.

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