Governos espanhol e catalão abrem via de diálogo após dois anos de diferenças

Madri, 28 abr (EFE).- O governo espanhol e o da região autônoma da Catalunha abriram uma via de diálogo depois de mais de dois anos de conflito e de ruptura institucional motivados pelas aspirações independentistas dos nacionalistas catalães.

A vice-presidente do Governo, Soraya Sáenz de Santamaría, e o vice-presidente catalão, Oriol Junqueras, deram nesta quinta-feira continuidade ao encontro que na semana passada mantiveram os respectivos presidentes, Mariano Rajoy e Carles Puigdemont.

A decisão dos nacionalistas catalães nos últimos anos de dar passos para a independência mediante consultas consideradas ilegais pelo Tribunal Constitucional deixou o contato entre ambos Executivos reduzido a nada.

Neste contexto, a região da Catalunha realizou eleições em setembro - a Espanha em dezembro-, com o resultado de uma mudança na presidência regional, que passou de Artur Mas a Carles Puigdemont, ambos do mesmo partido de centro-direita.

O novo governante catalão se reuniu na semana passada com Rajoy, cujo gabinete é interino à espera das novas eleições previstas para 26 de junho e dali saiu a decisão de fechar um pacto sobre vários assuntos de disputa.

Desse modo evitaram comparecer ao Tribunal Constitucional para que resolva as diferenças e abriram um leito de diálogo institucional.

A vice-presidente Santamaría reconheceu hoje esse novo clima com o governo catalão, com o qual - disse - confia em poder trabalhar em benefício dos catalães.

Por sua vez, Oriol Junqueras admitiu que há um "degelo" nas relações entre o governo central e o catalão e que é mais fácil dialogar agora do que há alguns meses, embora ressaltou que seguem as diferenças irreconciliáveis em temas como a independência.

As eleições espanholas de dezembro foram marcadas pelo debate sobre a Catalunha, onde governa uma coalizão de várias forças favoráveis ao independentismo.

A falta de acordo sobre um novo governo entre os partidos espanhóis faz previsível uma repetição do pleito no final de junho.

Dos quatro grandes partidos espanhóis, PP (centro-direita), PSOE (socialista) e Ciudadano (liberais) rejeitam a hipótese independentista, enquanto Podemos (esquerda) é partidário de um referendo de autodeterminação no qual defenderia a permanência da Catalunha na Espanha.

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